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Capricórnio

27/11/2009

Não gosto de correntes e e-mails divertidos, mas algumas são legais porque fogem do esquema “Aceite Cristo em casa e repasse para 457 pessoas” ou “Imagens de uma vida feliz”. E hoje eu recebi um e-mail bem divertido que descrevia meu signo, Capricórnio (já vejo os montes de caras feias depois de revelar meu signo), e apontava algumas características. Concordo plenamente:

Capricórnio (22/12 - 19/1):

1. Frase: "HOJE assumi o cargo de vice-diretor de uma empresa que ORGANIZAREI, e será sucesso daqui a 10 ANOS".

2. O que o capricorniano espera de seu parceiro: 
Busca um parceiro que seja equilibrado e que possa ajudá-lo a alcançar uma posição de destaque e de status na vida. A lealdade e o apoio são mais importantes para ele do que a paixão. 

3. O que o capricorniano diz depois do sexo: “Você tem cartão de visitas?”

4. Como irritar um capricorniano: 
Organize tudo para que se sintam inúteis. Lembre-os de sua baixa posição social. Embarace-os em público: faça escândalos, berre com eles. Deixe-os esperando, nunca chegue na hora marcada. 

5. Como o capricorniano reza antes de dormir:
“Querido Pai, eu estava indo rezar, mas acho que devo descobrir as coisas por mim mesmo. Obrigado de qualquer forma.”

6. Por que o capricorniano atravessou a rua?
Porque foi pechinchar nas lojas do outro lado.

7. Você foi assaltado e o capricorniano....
“Quanto levaram??”

8. Adesivo para o vidro do carro do capricorniano: 
"Tenho tudo que amo, e trabalho muito para ter mais ainda"

9. Quantos capricornianos são necessários para trocar uma lâmpada? 
Nenhum. Capricornianos não trocam lâmpadas - a não ser que seja um negócio lucrativo.


Escrito por Hélio Filho às 17h51 Comentários Envie

O que é a confiança?

13/11/2009

Pois é, essa palavra que aparece sempre que se fala em relacionamentos duradouros. Ainda mais hoje em dia, onde a maioria das pessoas infelizmente esqueceu de cultivar esse sentimento. Virou jóia. Mas se não tem confiança o seu relacionamento vira uma aventura nada gostosa pelos cantos mais obscuros da mentira, da dissimulação e da falsidade. Aí eu nem preciso falar o que acontece.

Construir a confiança mútua é tarefa árdua, para quem realmente está compromissado em ser feliz. E ser feliz é não ser como nossos pais, ser feliz é ser melhor do que eles porque aprendemos com os erros deles. Uma vez na sexta série um professor de História escreveu no quadro: o sábio aprende com os erros dos outros, os burros com seus próprios. E foi assim que eu decidi desde então ser melhor do que meu pai e minha mãe.

Superar a frieza de sentimentos típica do meu pai para com seus próximos foi um primeiro passo que eu dei e caminho rumo a isso diariamente. Saber desde pequeno que a fidelidade no relacionamento não é obrigatória - você pode trair a qualquer hora, em qualquer lugar -, mas é como a cobertura do sundae. É muito mais gostoso você comer o sundae, ou alguém mesmo, sabendo desse sabor especial.

Se é para ficar com quem eu desejo fisicamente, fico solteiro, como fui a maioria da minha vida. Mas quando o compromisso é firmado é hora de mostrar que eu fiz minhas escolhas e não abro mão delas. Eu confio em mim, muito. Já fui colocado à prova várias vezes, como naquele quadro tosco do João Cleber, mas sempre fui sincero não só com o outro, mas mais importante, comigo mesmo. Ninguém trai ninguém, só a si mesmo.

Mas, afinal, como construir a confiança? Não sei, de verdade. Deve depender de cada caso, cada casa, cada casal. Vai depender se você quer realmente insistir em algo que precisa ser construído com muito custo. Se custar muito, deixa pra lá, afinal, o amor tem que ser leve, sem fantasmas. Uma das pessoas que mais quebrou minha confiança foi justamente a que me disse algo bem sábio: a confiança é como um vaso, se quebra, dá para colar, mas nunca vai ser a mesma coisa. Clichê, mas válido.

Em quem você confia?


Escrito por Hélio Filho às 15h02 Comentários Envie

Relembrando

12/11/2009

Quando eu tinha 20 anos... 

 


Escrito por Hélio Filho às 17h07 Comentários Envie

Au!

11/11/2009

Paus, porras, sangues, merdas
Gemidos, latidos, grunhidos, contidos
Mãos, pés, dedos, língua
Cintos, tachas, pontas, chicotes

Prazer, dor, culpa, gozo
Força, instinto, desejo, toque
Suor, cansaço, exercício, peso
Lábios, sorrisos, suspiros, amores

Sexo, amor, tesão, pegação
Mistura, funde, borra, entorpece
Mais, mais e mais
Sempre mais, menos aqui

Pega, amarra, cospe, pisa
Mete, rasga, segura, puxa
Bate, xinga, beija, ama
Solta, abraça, cura e sorri.


Escrito por Hélio Filho às 13h56 Comentários Envie

Expressão sem pressão

09/11/2009

Tem muita gente que felizmente usa de algum tipo de forma de expressão como jeito de não explodir. Eu, você e, como diria minha amiga Vavá, a safadinha da rua. Todo mundo acha um jeito de colocar para fora o que atormenta por dentro. E na maioria das vezes que você mostra algo assim isso soa estranho aos outros - porque é algo completamente individual, só seu e, claro, inteligível apenas por você. O importante é não questionar e incentivar se estiver fazendo bem. Como diria o filósofo alemão clichê, nada que é humano me é estranho.

Tem algumas manifestações que são públicas e devem ser vistas como benéficas, saudáveis. Na Parada paulistana deste ano, minha amiga Maria Fernanda estava me acompanhando na cobertura quando soltou uma constatação: se não fosse a Parada, onde aqueles milhões de pessoas iriam colocar seus demônios para fora, exagerar na produção, gritar livremente, ferver? É só um dia, mas libera, deixa leve e dá energia para lutar por mais um ano.

Com a mesma Maria Fernanda e um convidado pra lá de especial, fomos ver uma peça de teatro que já saiu de cartaz, ainda bem. Era também uma forma de expressão, de vazão de sentimentos dos atores. Resolvi não questionar a direção do espetáculo sobre a expressão quase inexistente do elenco, que estava travado justamente por estar expressando falas que poderiam muito bem ser dele por causa da proximidade do tema da peça. Fiquei pensando que se eles esquecessem a vazão de sentimentos dos outros e colocassem as deles o resultado seria muito melhor.

Minha saga na observação de expressões estranhas alheias continuou na Satyrianas, aniversário dos Satyros, no sábado retrasado. Quando chegamos à Roosevelt, uma banda anarquista gritava embalada por estridentes guitarras a realidade de que “sempre tem alguém para carregar o piano”. Muita gente pulando, fazendo mosh (é assim que escreve?), se tremendo da cabeça aos pés, girando sem parar, cantando, tentando cantar, gritando, tentando gritar, uma loucura deliciosa.

Ao lado da banda, uma artista plástica famosa no meio acadêmico reagia a cada pequena nota da música anarquista e anárquica. Batia o cabelo abaixando e levantando a cabeça, ria para o ar, cantava, conversava consigo mesma, animava o povo da banda com aquele apontamento de dedo e acompanhamento da letra, bebia, ria mais, fechava a cara nas frases mais incisivas e descia até o chão no refrão. Ao lado dela, um jovem rapaz barbudo de calças listradas largas e chinelas de couro fazia guitarra no ar para completar uma dupla de liberadores das neuras.

Depois descemos para a garagem da Roosevelt. Mais individualidade ainda: duas meninas com máscaras estranhas no rosto gritavam no microfone “Gabriel me levou pro céu” e “quem não dá assistência abre concorrência”. A guitarra acompanhava a cantoria do modo dela, sem se preocupar com ritmo, o baixo idem, a bateria a mesma coisa. E as duas gritavam no microfone, sem dó, mas com fôlego. Fiquei morrendo de vontade de pedir um dos microfones da banda e começar a gritar também. Afinal, já sabia toda a letra de duas frases da música!

Mas a coroação surgiu mesmo na última sexta-feira, 6, no Programa do Jô (clique aqui e veja o vídeo). Rogério Skylab ocupou dois blocos da atração e deve ter cantado umas seis músicas pelo menos. Não entendi ainda o que ele é realmente. Cantor? Performer? Músico? Louco? Artista? O Homem-Cueca? Aí foi que eu percebi que gostava do que ele fazia. É absurdo, sem lógica à primeira vista, mas muito instigante e questionador se você ouve mais de uma música sem rachar de dar risada.

Rogério se expressa como quer e tem vontade, e assim é visto como um cara estranho. Mas quem não é estranho quando decide se expressar? Quem não recebe críticas e comentários absurdos? Rogério é visto como louco, mas eu duvido muito que a saúde mental dele, minha, sua e da safadinha da rua sejam muito diferentes. De perto ninguém é normal, por isso é muito bom se expressar, seja como for, seja quem for.


Escrito por Hélio Filho às 17h25 Comentários Envie

A gente se enrola, se embala, se embola

06/11/2009

Ontem eu fui conhecer a nova loja da Maison Depil no Pátio Higienópolis e dois passos depois de entrar no shopping encontrei o Breno, que também já morou em Campo Grande. Essas coincidências sempre acontecem. Tem gente que acha que São Paulo é enorme, mas fica minúscula quando isso acontece. Fica do tamanho da distância entre você e o amigo encontrado.

Na primeira vez que o Rafael veio pra cá eu também o encontrei do nada no Conjunto Nacional. Na semana passada, dei de cara com a Talita no shopping Santa Cruz. O Lê Marques então eu até estranho quando não topo com ele pela Augusta. E o detalhe mais importante é que todo esse povo se conhece. E ontem de novo todo mundo encontrou todo mundo.

Depois de encontrar o Breno em Higienópolis, logo a Vavá me ligou e disse que estava no MASP com o Lê Marques, com quem o Breno mora. Depois a Maria Fernanda me ligou dizendo que também estava indo pra lá em vez de me ver no shopping. Aí quando a gente se encontrou, todo esse povo, o Lê Caminha ligou dizendo que estava, com o perdão do trocadilho, a caminho. E é assim que um encontro que era para ser de três pessoas vira de seis, sete, oito.

A gente vive em uma teia onde todo mundo está ligado. No nosso caso a teia é mais forte e de intervalos menores porque todos já moramos na mesma cidade e rola meio que uma união para sobreviver sem família em São Paulo. Tem até amigo-secreto especial só com pantaneiros e seus agregados. E assim a gente vai indo, se encontrando de surpresa ou com combinação prévia. E é tão bom...


Escrito por Hélio Filho às 16h33 Comentários Envie

O que a gente não faz por um amigo?

03/11/2009

Acho que não tem nada que eu não faça por um amigo, desde que concorde com a decisão dele ou pelo menos observe em seus olhos um mínimo de certeza. Foi assim que eu comprei pela primeira vez na minha vida um CD do Queen, o “A Night At The Opera”, de 1975. Era para dar de aniversário para a Maria Elisa e assim foi. A amiga adorou ter nas mãos o disquinho do Queen. Eis que me vi comprando um CD do Queen, banda que eu nunca gostei. Tudo por ela.

Uma outra vez minha amiga mais sapatão de todas, Luciana, me chamou para ir com ela a uma festa onde estariam as várias pretendentes dela. Inclusive, as sapas são cheias desses rolos de paquera, né? Elas combinam a festa, esperam dias e amargam segundos para ver a tal da menina. Acho que gay é mais rápido: vê já na festa e pega. Mas voltando da digressão, lá fui eu com a Luciana.

Mas não era qualquer lugar, era a festa de laço comprido da Associação de Criadores de Cavalos Quarto de Milha. Um lugar completamente sertanejo onde os homens não laçavam só os bezerros na prova, mas também as meninas que passavam por eles. No fim das contas, Luciana encontrou a menina, deu uns bons catas nela no banheiro e eu tive que ficar escutando os amigos da tal menina falando sobre cavalos e mulheres enquanto mascavam fumo de corda.

Com a mesma Luciana, uma vez fui ao churrasco dos calouros de faculdade dela, do curso de Agronomia, só para situar o cenário. Basta dizer que eu era o único sem botina ou bota, com a calça no tamanho certo e não grudada no saco, sem chapéu com peles de vários bichos e fivela gigante no cinto. Só eu também usava uma camisa vermelha florida da última coleção da Triton (sim, faz tempo) e pulseiras de corda de violão (eu disse que fazia tempo). Mas fui, me diverti e garanti a companhia que a Luciana precisava para catar muitas, mas muitas meninas mesmo, inclusive umas que tinham namorado.

Sábado eu de novo fiz mais uma dessas para dar tchau para o Paulo, que trabalhava aqui. Fui parar na The Week paulistana porque sabia que seria um lugar fácil de encontrar o Paulo para dar um tchau mesmo que rápido e desejar boa sorte. Não que seja um sacrifício ir até a The Week, mas para mim neste ano qualquer balada é vista como sacrifício, qualquer compromisso que me faça dormir tarde. Bem velho mesmo, medo de uma senilidade precoce.

E pelo Paulo eu saí de casa e me joguei na The Week, com direito a voltar no domingo pra pool party (onde um dia eu ainda faço uma coreografia de nado sincronizado) e tudo. Quando você desvia sua rota por alguém querido é sempre bom. E sábado foi. Vi o Paulo bem rápido porque fui embora bem cedo, mas deixei meu abraço, meu tchau, meu desejo de que tudo dê certo para ele na nova fase. E eu vou lembrar dele toda vez que for à The Week agora. Assim como lembro da Marê quando toca Queen e como lembro da Luciana quando vou a qualquer tipo de festa errada com sapas safadinhas no banheiro. Quero ver qual será a próxima.


Escrito por Hélio Filho às 17h12 Comentários Envie

Como ajudar quem não quer ser ajudado?

27/10/2009

Sim, como? Ou então, como se sentir não podendo ajudar quem precisa de ajuda? E ajuda em todos os sentidos, física, emocional, monetária, psicológica e tudo mais. É uma dúvida constante na minha cabeça o que eu devo fazer além de tudo que já fiz para ajudar o amigo, o familiar, “aspessoatudo”. Porque chega uma hora em que você não tem mais como avançar porque a outra pessoa colocou entre vocês uma enorme barreira, muitas vezes até inconsciente, logo, mais perigosa e dura.

E isso sempre acontece. Sempre tem alguém que você gosta e está precisando de algum tipo de ajuda. Dá agonia ver a pessoa caindo, caindo e caindo sem parar e você lá de cima olhando, com cara de quem não sabe se caga ou sai da moita, se pula junto ou sai correndo. É uma sensação de impotência sem precedentes, um vazio na seção da amizade.

E a culpa sempre ronda sorrateira sua mente, se aproveitando daqueles rápidos momentos onde a clareza das ideias te abandona e dá lugar à dúvida: deveria eu ter tentado mais? Poderia eu fazer algo além? E nessa dúvida você se consome por dias, procura saídas para se livrar dela pensando em como ajudar mais quem não quer ser ajudado. Bate cabeça, estala os dedos, cantarola e nada, nenhuma mínima opção aparece.

Isso porque chega uma hora em que infelizmente você precisa soltar a mão dessa pessoa, a deixar cair mesmo. Até porque só quem chega ao fundo do poço dá o real valor à luz do topo. Os dedos dela vão deslizar dolorosamente pelos seus, os olhos dela vão procurar os seus com um olhar confuso entre o desejo pela salvação e o comodismo feliz da derrota. Mas deixe-a cair, fazer barulho na água lá do fundo.

Aprendi que só posso ajudar quem realmente quer (e merece) ser ajudado. Como disse a cartomante do Irving quando ele foi fazer a matéria da última Junior, “as pessoas são como são”. Tem gente que é feliz caindo no poço, você vai discordar? Não tem como, no máximo tentar ajudar para não sentir aquela culpa filha da p¨%$ que se você não controla te corrói, destrói e até enlouquece. Tem gente que se sente amada quando se vitimiza, se sente valorizada quando se menospreza e se sente muito bem (mesmo mostrando o contrário) quando tudo está uma bela porcaria.

Você não verá pessoas que não querem ser ajudadas levantando suas nádegas do sofá para ir bater cabelo atrás da vida. No cotidiano delas, as tragédias são fortes emoções que movimentam um dia-a-dia marcado pelo alto teor de dramatização de cada pequeno detalhe fora do lugar, cada pequena conta de casa atrasada em um dia que seja. O fim do mundo para quem não quer ser ajudado é uma bela visão porque subentende um novo começo. A esperança não morre para essas pessoas, apenas muda seu curso, sai da caixa de Pandora para habitar uma fase da vida que estará sempre além das mãos de quem se resigna. A esperança nunca morre, mas tarda e pode nunca chegar para quem não quer ser ajudado. 


Escrito por Hélio Filho às 17h40 Comentários Envie

Casando II (ou por que as pessoas se casam?)

14/10/2009

E quando você menos espera uma dúvida vem e coloca em xeque e instiga seus pensamentos. Durante o casamento da Camila, o do post anterior, uma dúvida me veio à mente: será que as pessoas casam simplesmente por não terem coragem de olhar para seus relacionamentos e questionarem se ainda são produtivos? Se realmente estão na etapa de casar, mesmo com anos de namoro?

Não sei, não mesmo. No caso da Camila com certeza não. Ela e o Paulinho já namoravam há pelo menos quatro anos e moravam juntos há uns dois e meio, foi só para oficializar mesmo, fazer a festa pra família, já estavam casados. Amigado com fé casado é. No caso dela não, mas e nos outros? E nos casos onde a família da noiva é tradicional, ela não pode morar com o namorado antes de casar e vai ter que descobrir como é acordar ao lado dele durante uma semana inteira já na prática?

Os casais heterossexuais devem satisfação à sociedade, estão dentro dela e seus relacionamentos são guiados por ideais milenares de fidelidade, amor eterno e família. Uma noiva poderia fazer o questionamento antes de casar e adiar a data? Poderia, mas fico imaginando como seria para ela dar a notícia para a família, dizer que talvez não esteja pronta para casar, que prefere pensar mais.

O vestido já está sendo feito há meses, as madrinhas já trocam e-mails falando de seus vestidos para não chegar uma igual à outra, os pais já começaram a pagar a festa, a lua-de-mel já com passagens compradas e por aí vai. Como se adiar tudo isso em nome de uma certeza que vai te guiar, supostamente, para a vida toda fosse um grande trabalho.

E tem ainda aquele desejo feminino de casar na igreja, de branco, com marcha nupcial, docinhos tipo bem-casado (comi toneladas no casamento da Camila), fotos, pajem, daminhas e quilômetros de véu. Tudo isso deixa a mulher meio perturbada mesmo, acho que dias antes do casamento elas estão estressadas também pelos motivos que dizem, mas acho que muito mais por não terem feito o questionamento. Acabam se casando por comodismo, hábito, costume, e muita pressão, claro.

Eu comentei minha dúvida com uma amiga e ela fez cara de quem também se inquietou. Será realmente que o casamento (não para todos, repito) é o próximo passo depois de anos de namoro? Será que se a noiva ou o noivo olharem para trás e se questionarem se o casamento é o passo seguinte mesmo haveria tantos casamentos?


Escrito por Hélio Filho às 18h37 Comentários Envie

Casando – Parte I

13/10/2009

Fui padrinho de mais um casamento neste ano. Sábado cheguei em Londrina (PR) feliz por participar de mais uma dessas cerimônias na igreja. Somando batizados e casamentos, eu acho que é a quinta vez que vou à missa neste ano em ocasiões especiais. Já estou virando expert em ser padrinho. Ta precisando de um? Pode me chamar que eu arrumo a malinha e me jogo para onde for já com a vela do batismo na mão ou o terno do casório no corpo.

É engraçado porque eu acho que serei padrinho de mais uns seis casamentos da minha turma de faculdade, um grupo de uns 10 amigos que se amam. Eu, o Gui e mais oito meninas, todas minhas discípulas na arte de como não se tornar uma mulher frustrada, mal-comida. Em junho foi a Marê que casou com o Stéfano. No sábado foi a Camila, que casou com o Paulinho. Aí já tem um agendado para novembro de 2010, quando a Marina e o Luís vão se casar depois de uns oito anos de namoro.

Mas eu queria falar mesmo do casamento da Camila, o último. Além de todas aquelas coisas que todo casamento tem, algumas merecem ser destacadas. Primeiro que eu era o único homem na igreja e na festa que não usava camisa lisa com gravata listrada, mas sim camisa listrada com gravata lisa. Aí todo mundo confirmou a diferença entre os padrinhos e convidados. A cerimônia foi linda, eu chorei horrores e meu emocional ficou arrasado. Minha cabeça não parava de lembrar dos momentos bons que passamos juntos durante esses seis anos que nos conhecemos (se eu não fosse gay essa frase seria motivo de divórcio). Chorei sim, chorei mesmo. 

Mas a coisa pegou mesmo na festa. Essas oito meninas têm uma coreografia especial da música “Can’t take my eyes of you” onde elas fazem uma fila e meio que dançam ao estilo cancan, o que sempre era feito em todas as nossas festas. E não foi diferente no casamento. A noiva (ainda não muito bêbada) pegou o microfone, subiu no palco e começou a chamar “todas as meninas da minha sala de faculdade, minhas amigas lindas que eu amo. Só as meninas aqui no palco. Vem Maria Fernanda, Vivi, Berta, você também, Hélio, Marina, Priscila...”. Sim, acabei entrando no rolo e dançando a coreografia, com direito a registro em vídeo e fotografias.

Como se não bastasse, minha amiga que me ama muito fez questão de me chamar de novo ao palco, sempre gritando no microfone na frente de todo mundo, porque “tá tocando Shakira, eu sempre lembro de você”. E lá fui eu dançar “Estoy aqui” (sim, Estoy aqui) sem beber nada, sem nada de tóxico no sangue, na cara limpa, à base de amor por ela. Não teria feito nenhuma das duas coisas se não fosse por ela, se não fosse em um momento tão especial para ela. Nessas horas nossa vergonha some e tudo o que você quer é ver sua amiga sorrindo no dia mais especial da vida feminina dela.

Ok, nesta altura da festa meu outing estava mais do que completo. Apertei o botão do foda-se e fui curtir a festa com meus amigos. Mas sempre tem alguém que não segura a onda. Um homem casado, pai de filhos, cabelos grisalhos e muita bebida na cabeça começou a me cercar, fazia quibinho (que era um quibão) olhando pra mim, ficava passando e esbarrando, encarando sem parar e até me seguindo no banheiro sem sucesso. Achei um absurdo ele, que era parente do noivo, ficar querendo dar vazão aos seus desejos bem naquela hora. A mulher dele estava do lado dele, o irmão idem, toda a família. Que vergonha, que absurdo.

Não há nada mais patético para ser visto do que o espetáculo de quem é enrustido dá quando bebe um pouco mais. Lamentável e com certeza broxante. Não, comigo não. Fugi a noite toda (e espalhei pra festa toda o que tava rolando, claro). Mas livre dele, eis que surge um primo que é meio primo (esses rolos de família) da noiva puxando papo. Questionando, querendo saber, querendo conversar, querendo... Fugi de novo, não ia rolar fazer a puta da esquina e catar o bofe no banheirão em pleno casamento. Respeito os outros para ser respeitado (todo mundo deveria fazer o mesmo, né?).

Aí depois de escapar de dois viados, gays, bichas, mariconas – e uso os apelidos para confirmar o que eles eram, homossexuais como eu, mesmo querendo esconder – eu tive uma surpresa maravilhosa: ganhei um beijo de um menino, mas menino mesmo, de três anos. Ele estava brincando com as bolhas de sabão que eu estava fazendo, se divertindo pencas. Aí minha amiga que estava de um lado meu pediu um beijo, ele deu, a outra, que estava do meu outro lado, também pediu e ele deu. Aí quando eu menos espero, a mãe dele virou e disse: “agora dá um beijinho nele (eu) também, meu filho”. E o menino veio com sua doçura de criança e me deu aqueles beijinhos fofos de criança na bochecha.

Primeiro fiquei paralisado com a atitude da mãe dele. Uma mãe de verdade, que desde cedo ensina ao filho que ele deve tratar todo mundo com carinho e que beijar o rosto de um gay não transforma ninguém em gay, bissexual. Foi uma das atitudes mais nobres que eu vi na minha vida, de verdade. Fiquei bem emocionado, lisonjeado, me senti valorizado, humano. Aí continuei pensando e achei irônico o menininho me dar um beijo sem preocupações enquanto os dois adultos me desejavam, mas tinham que se segurar por medo.

Engraçado é que é bem provável que esse menino cresça aquele tipo lindo de heterossexual que protege gays, beija no rosto, abraça e pede conselhos, coisas de amigo, tipo um Rodolfo, um Thiago na minha vida. Já com os adultos, ah, esses são caso perdido mesmo. O casado vai continuar imaginando uns pêlos no peito da mulher dele e o solteiro vai continuar jogando sua cantada barata fora para descobrir se “algum cara discreto, boa pinta, tranquilão e fora do meio que queira um lance com outro brother” o deseja. O menininho vai casar porque quer, com quem quer, como a Camila, não como o parente do noivo, por pressão. Ponto para a felicidade de quem?


Escrito por Hélio Filho às 18h23 Comentários Envie

Çéquíssú

06/10/2009

Vamos falar de sexo, sim, esse ê xis ó. Vamos falar sobre quem acha que não precisa fazer nada na cama, só ser bonito e ter um bom você sabe o quê. Estava há pouco aqui no corredor do Mix conversando com um amigo de identidade não-revelada e ele reclamou que foi fazer um bofe e o bofe não fazia nada. Nadinha. Aí ele me disse que levantou e colocou a roupa, foi embora e deu o recado, disse que o cara precisava melhorar muito ainda.

É engraçado porque eu já tive essa experiência, e foi péssima. O cara era inteligente, educado, bonito e tudo mais, mas era pior do que um homem machista transando, não interagia, não pegava, não você sabe o quê. Assim não dá, assim não pode. A sensação que dá é de nadar, nadar, na DAR e morrer na praia porque quando o mais gostoso é para acontecer, aquela coisa de pega no outro, outro pegar em você, você em você, o outro nele mesmo e assim vai, quando a coisa ia esquentar já tinha acabado.

Eu, e acredito que meu amigo da conversa e todas as bichas que passaram por isso, ficava com aquela sensação de quando você é criança e vai ao parque, aí compra uma pintosa bexiga com gás Hélio (não eu, o gás nobre, aquele que faz balões voarem) e basta um momento sem seu comando para ela subir aos céus, sem sentar à direita de Deus pai, todo-poderoso, claro. Mas vai, aí você fica lá de baixo olhando a bexiga subir, subir, subir e ir embora para bem longe da sua mão.

Sua diversão vai embora e aí só te sobra aquela cara de coroinha que cometeu flatulência na igreja em frente ao padre. Mas a culpa não é sua, minha ou do meu amigo, a culpa é de quem ou é muito egoísta/cêntrico ou não sabe mesmo fazer um bom lerê. Não me considero o François Sagat, mas no básico me garanto, sei que a outra pessoa tem também que sentir prazer, e é melhor ainda se ela sente esse prazer comigo, olhando na minha cara (e dizendo palavras impublicáveis, adoro!).

No caso das egoístas/cêntricas o problema é lá para a terapeuta. Trabalha essa síndrome de filho único que passa. Mas com quem não sabe é diferente, vale tentar dar uma ensinadinha, mostrar caminhos pelos quais a outra pessoa pode descobrir prazer te dando prazer também. É uma via de mão dupla essencial. Particularmente sinto muito tesão vendo o prazer do outro proporcionado por mim, me sinto capaz de fazer isso, ali a minha frente está a prova de que eu sou capaz não só de bater uma no banheiro, mas usar meus conhecimentos sexuais para fazer um outro, pelo qual eu passo para construir meu autoconhecimento, gozar, gostar e pedir mais.

Embasando-me mais uma vez apenas no meu limitado conhecimento para dizer algo, acredito que isso acontece muito com os caras que são somente ativos. Todo mundo sabe que pelo menos a maioria deles acha que domina simplesmente por ser mais másculo, ser só ativo, acredita que é o macho da relação. Ah, purfa, né? E se é bem dotado a coisa piora, acha que é só sentar e ver estrelas às custas de astronautas dedicados em suas habilidades manuais e orais.

Definitivamente não. Relação para mim que tem um macho é selvagem, sou homem, macho é o bicho, o que não é a fêmea. E essa coisa de achar que subjuga simplesmente por penetrar é um preconceito tão bobo e antigo quanto dizer que gays são só passivos, quem é ativo não. Bobagem, coisa de gente que realmente não aprendeu ainda que o sexo, mesmo quando é uma supermegaultrarapidinha, precisa de duas pessoas para ser feito, senão fica esfregação, masturbação vazia e sem sentido.

Bom mesmo é se proteger sempre e se jogar nesse delicioso abismo que é o sexo, fazer sexo. Tem que se entregar, dar e receber - e não só você sabe o quê. Acredito cada vez mais que as pessoas mal comidas são o câncer da sociedade, freudianamente falando, são reprimidas e, logo, histéricas. E o “mal comidas” nesse caso fala sobre as pessoas que comem, acho bom chamar de mal alimentadas então! Tá com fome? Como diz minha avó: vai na rua, mata um homem e come.


Escrito por Hélio Filho às 18h30 Comentários Envie

Volta

30/09/2009

Estava de férias, voltei hoje, colocando as coisas em ordem de novo.


Escrito por Hélio Filho às 17h32 Comentários Envie

Tic

11/09/2009

Hare babado fortíssimo. Hoje acaba “Caminho das Índias”, que eu adoro como toda boa novela. Infelizmente perdi as surras da Ivone (Yvone?), a volta do Raul e a revelação da Maya sobre o filho dalit. Pois é, acompanhei a novela quase toda e nos momentos mais legais eu perdi, mas ok. O capítulo de ontem durou quase duas horas e eu, claro, não perdi um segundo. Hoje então... O meu consolo, não aquele das lojas de luzes coloridas piscando (não tenho esse), é que na segunda-feira começa “Viver a vida”, do Manoel Carlos, que é um dos meus autores de novela preferidos.

Deve ser porque gosto da simplicidade e as novelas dele são super detalhistas, cotidianas, comuns sem serem vulgares. É claro que vai ter um Dr. Moretti que atende o Leblon todo, uma Helena que sofre e ama e que no fim será feliz, muita gente rica, culta e bonita, a Lília Cabral como mulher problemática, o José Mayer como garanhão e músicas do Vinicius de Moraes e Tom Jobim.

Aí a gente que mora aqui em São Paulo vai ser obrigado a chegar em casa depois de ter tomado nossa chuva diária, depois de ter enfrentado nosso trânsito diário, depois de ter sofrido nossos empurrões diários no metrô e tudo mais do cotidiano paulistano e ainda ver os cariocas se esbaldando no Leblon/ Ipanema ao som de bossa nova. O morro Dois Irmãos no cenário ensolarado enquanto você pensa na terça-feira paulistana, na saída do feriado, na...

Mas isso é novela, uma fuga da realidade, 60 minutos de fantasia da realidade. Depois que passei um ano todo da faculdade estudando todos os aspectos das telenovelas com minha professora metade brasileira, metade colombiana suspeita de ser das Farc, eu nunca mais vi novela do mesmo jeito. Na foto abaixo, como seria o fim de “Caminho das Índias” se o mundo fosse menos preconceituoso. Tic?


Escrito por Hélio Filho às 12h05 Comentários Envie

I will survive

08/09/2009

Eu simplesmente acho o cúmulo quando em uma festa heterossexual toca “I will survive” e todo mundo olha para a bicha do recinto. É só começar a tocar as primeiras notas na caixa de som que aquela sua amiga louca atravessa a pista gritando “a sua música, beee” e apontando para a sua cara. Um outing total. E o pior é que as pessoas acham que só porque você é gay é obrigado a dançar “I will survive”, dublar, fazer a Maria Louca, rir, gritar, dar bafão. Eu não vou sobreviver a isso, não mesmo.

Isso é comum e eu acho que deva ser mais uma tentativa dos heterossexuais em deixar os gays que eles gostam à vontade, uma maneira de dizer que está tudo bem. É como aquele namorado da sua amiga que te faz perguntas como forma de conversar com você, mas fica horrorizado com as respostas. Como eu sempre digo, só faça uma pergunta se você está preparado para a resposta.

Mas não precisa, não precisa mesmo tratar o gay, a lésbica, a travesti, a trans - e mais toda uma infinidade de gente do arco-íris que se define por si próprio - para dizer que é friendly. Ser friendly é simplesmente não ser nada, não ter tratamento especial, pudores especiais e olhares policiados. Ser friendly é ser normal, falar sem tom cuidadoso e não precisar se desculpar se chamou alguém de viado na sua frente porque você sabe que não é pejorativo.

Ser friendly é chamar a amiga bicha quando toca qualquer música fervida, não só “I will survive”, Madonna, Lady Gaga ou Britney. Prefiro quando toca Raul!


Escrito por Hélio Filho às 17h08 Comentários Envie

Rendido

04/09/2009

Calma, meu saco ainda está normal e não ficou grandão, não é isso que quis dizer no título. Eu confesso que estou gostando bastante da Miley Cyrus. É isso. Prontofalei. Bem franco. O clipe abaixo é pro Rodrigo Barros, um dos meus leitores mais assíduos dentre os milhões que acessam meu blog. Rodrigo, o melhor lugar do mundo é onde estamos, seja lá onde for. Tem sempre um bom olhar que quer ver as coisas ruins como boas. Bom fim de semana!

 


Escrito por Hélio Filho às 13h54 Comentários Envie


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