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Inclível odisséia eletrônica

29/10/2008


Pode parecer irônico, um contra-senso ou apenas uma barreira de idiomas, mas fazer compras no Promo Center, em plena Avenida Paulista, é quase impossível para um brasileiro que não fala nenhuma língua oriental. Ontem saí correndo aqui do Mix para comprar um MP3 player com gravador. As mais antenadas e tecnológicas vão falar: “nossa, MP3 ainda? Mas já tem até MP125478545”. Ok, mas eu já explicitei aqui a minha pouca intimidade com tecnologias e só o MP3 está bom, precisava mesmo era do gravador. Como já tive um MP3 player e o seu gravador sempre garantiu seu serviço, decidi não arriscar colocando mais funções em um lugar só.



E lá fui eu. Pensei: um lugar acessível e que tenha produtos eletrônicos baratos. Bingo! Top Center, em frente à estação do Metrô e cheio de opções de eletrônicos dos mais diversos. Entrei naqueles corredores cheios de botões, aparelhos, bolsas, óculos e até pão de queijo à procura do meu gravador. Depois da última entrevista para a próxima Junior, que durou quase quatro horas e foi toda manuscrita, achar esse gravador era o bálsamo para meus tendões da mão. E lá fui eu. Anda aqui, anda ali. Dior, Chanel e Versace por todos os lugares. Toques de celular intermitentes, barganhas comerciais sem fim.



Cheguei à primeira loja/Box/seiláonomedaquilo e perguntei: “tem MP3 player?”. A oriental vendedora até que tentou entender de primeira, mas não teve jeito e se entregou à falta de familiaridade com o português falado rápido: “hã?”. “Já vi que vai ser difícil”, logo pensei. Nada como o dedo indicador como forma de comunicação, é só apontar e qualquer pessoa que enxergue, e raciocine o mínimo, vai saber o que você quer. Olhei, testei e perguntei o preço. “Qualenta cinco”, foi a resposta, assim mesmo, com o E entre os dois números perdido na poeira do tempo.



Só um problema, o aparelho estava disponível apenas na versão cor-de-rosa. Falei pra vendedora que tudo bem, eu era gay e não teria problema andar por aí com um aparelho desses. Mas acho que não ia rolar, minha cor preferida é o azul, queria um azul, ou preto (acabei comprando um prata). E, para uma pessoa que não tem intimidade com tecnologia, perceber que o idioma do aparelho é o japonês, sem opções de outros, é ponto decisivo para não comprá-lo. Decidi ir para outra banca/Box/armadocomercial procurar um que, pelo menos, fosse em um idioma ocidental qualquer, de berço latino, pelo menos, para facilitar minha vida.



Cheguei à outra e fui recebido por uma vendedora com a seriedade característica dos orientais (digo orientais porque nem sempre consigo identificar pelas feições deles seu país de origem). Confesso que ela foi até meio grossa, pareceu despreocupada e me passou a impressão de que se eu comprasse ali ou não isso não faria a menor diferença. Meu ego percebeu isso e mandou uma mensagem para meus pés: “queridinhos, vazem daqui, não somos bem quistos”. E eles obedeceram.



Já cansado de andar e zonzo com tanta informação tecnológica em um lugar só, cheguei à terceira banca/loja/estande com aquela certeza de que se não rolasse a compra ali, naquela hora, eu ia voltar para casa sem gravador. Nada como a globalização que uniformiza a juventude. Fui recebido por uma mocinha oriental tímida de All Star preto nos pés. Senti uma certa liberdade e, quando vi, já estava fazendo a mocinha quase cantar no MP3 player para eu testar o gravador. “Fala alguma coisa”, pedi. “O quê?”, ela respondeu. Já falou, já era, enquanto você pensava, eu já gravei e testei. Deu certo, o gravador é bom e já será estreado hoje mesmo, na próxima entrevista para a Junior 8.


Enquanto pagava os “qualenta cinco” reais, percebi que tinha uma mulher do meu lado que, se não tinha a mesma, possuía menos intimidade com tecnologias do que eu. Ela tentava entender quais opções o MP7 (ou era 8, ou 9, ou 1457) trazia para dar de presente ao filho. Não resisti, uma juventude sem senso crítico iria ganhar mais uma voz se eu não falasse: “acho melhor você desistir desse aparelho e comprar um livro pro seu filho, o futuro dele agradece”. Intrometido eu. Não costumo palpitar na vida dos outros, mas precisava fazer algo para salvar a futura crítica do Brasil. Se deu certo não sei, mas eu tentei. Vai comprar MP7 e a criança fica o dia inteiro vendo vídeos bobos e deixa de lado a lição de casa, termo obsoleto hoje em dia.


Saí feliz, já ouvindo música no novo aparelho. Sim, de brinde, duas músicas vieram na memória do MP3: “Say You, Say Me”, do Lionel, e um rock cantado por uma banda japonesa, cujo nome da música são vários risquinhos distribuídos em uma ordem que só quem tem familiaridade com a língua do sol nascente vai me saber dizer qual é. Coreanos, chineses, japoneses, vietnamitas, não sei de quais países os comerciantes que estão ali no Top Center vieram, mas foi legal perceber que o Brasil é mesmo acolhedor e tolerante, são todos bem-vindos. Aonde mais uma pessoa que não fala a língua local teria um comércio em plena coluna cervical de São Paulo? Hum, vontade de comer sushi e chupar picolé de melão.


Escrito por Hélio Filho às 14h26 Comentários Envie

Por um segundo mais feliz

28/10/2008

Felicidade é uma filosofia de vida, questão de escolha, algo maior que uma sensação. Até mesmo as situações ruins apresentam ao ser humano duas oportunidades: ou você senta e chora, ou levanta com um belo sorriso para dizer que aprendeu a lição e vai continuar rindo, feliz, mesmo que a diversão venha da própria desgraça,, e não da alheia, como é mais comum.

Decidi há tempos ser feliz, não apenas estar. Às vezes me pergunto porque tantas pessoas fazem questão de obstruir sua felicidade. Pessoas de posses, fortes candidatas aos encantamentos que a tranqüilidade material pode trazer.

Mas elas não são felizes. Por quê? Ora por esquecerem o que desperta a felicidade e ora por não fazerem questão de perder seu precioso tempo com coisas bobas, como um belo pôr-do-sol. Feliz de verdade para mim é quem se compromete a equilibrar todos os setores de sua vida, colocando-os sempre embaixo do guarda-chuva da beleza e leveza de um sorriso sincero. Se for amarelo, que seja de tabaco, o importante é ser sincero.

Todo mundo tem uma receita para ser feliz, eu acredito mais em autoconhecimento, em atitudes positivas. Momentos tristes sempre existirão para todos. Para mim, eles são a antítese daquilo que quero para minha vida, são valiosos exemplos de como ela será se eu não for, e não apenas estar, feliz. Para acompanhar o post, selecionei “Shiny Happy People”, do R.E.M, que passa por São Paulo no próximo dia 8.



Escrito por Hélio Filho às 16h45 Comentários Envie


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