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Sim, sim, simples

13/11/2008

("Ocurrirá la memoria - Homenaje a Marcel Proust", de Dolores de Torres e Marta Montero)

Olhei os post anteriores e vi que, inconscientemente, segui uma tendência que adoro: falar de coisas simples. O simples, o ser simples, as coisas simples, são as mais complicadas do mundo. Pode parecer paradoxal, mas não é. Já percebeu como é difícil falar de coisas cotidianas? Fica mais difícil porque nem todo mundo consegue manter um distanciamento do dia-a-dia, das coisas cotidianas. Falar da convivência com os amigos, dos momentos que podem parecer banais, mas são os mais importantes, falar sobre fases, sobre o amor, que, por mais banal que pareça ser falar sobre ele, não é simples, meeesmo.

Alguns podem pensar que sou piegas, tudo bem, respeito cada opinião, respeito, mas nem sempre levo em conta, que fique claro. Mas não é piegas você passar para o papel, no caso, para o Word, pensamentos que te ocorrem durante todo o dia. Isso fica ainda mais complexo com jornalistas, que ficam o dia todo escrevendo sobre coisas sérias como leis, projetos, eventos oficiais. O que é importante para pessoas assim? Como medir a importância de uma conversa, um encontro inesperado, um telefonema de surpresa?

Não tem como, essa medição é individual. E individual é a palavra, não vou usar pessoal porque entendo que só conseguimos mensurar nossos atos quando somos indivíduos, temos nossa individualidade. E só quando me reconheço como um indivíduo, como um ser-no-mundo (Sartre!), um ser pensante e agente social que posso saber a importância de, por exemplo, sorrir amigavelmente para quem pisa no meu pé no metrô, para um amigo que pede uma opinião.

São as coisas simples que acontecem com mais freqüência, tornando-se mais intensas em seu conjunto. É o ato de comer um doce que você gosta sem se preocupar se ele é ou não super chic e servido no restaurante da moda que te deixa feliz, pelo menos para mim funciona assim. Não troco comer um milho de esquina na Paulista fofocando com minha amiga Vavá por nenhum outro jantar super fino com gente que não tem nada a dizer além de discursos copiados de um grupo considerado tendência. A não ser quando realmente é preciso.

Vavá é mais legal. Eu acho. Principalmente quando ficamos conversando horas a fio e nem vemos o tempo passar. Vavá é simples como eu, gosta de coisas corriqueiras porque também sabe que elas são as mais gostosas. Nunca fui adepto de supercoisas, elas me cansam porque geralmente vêm acompanhadas de superpessoas com suas superidéias. Super para mim só o gato do Super Boy. Gosto de gente de sorriso amigo e simples. Gosto de coisas que são o que se propõem a ser, sem máscaras de superalgo.

As coisas simples são as mais complexas, por isso as mais gostosas e a melhor matéria-prima para a escrita de quem as observa como elas são, muito mais do que apenas coisas simples. Quer uma prova? “Em Busca do Tempo Perdido”, do parisiense Marcel Proust. Uma obra com grossos sete volumes da mais pura filosofia que começou quando ele comeu um doce e se lembrou de sua infância. Permita-se ser simples, é o mais complexo jeito de ser que alguém pode ter.


Escrito por Hélio Filho às 12h38 Comentários Envie

Claudia

11/11/2008

Eu gosto da Claudia Wonder. O primeiro contato que tive com a figura dela foi ainda bem cedo, ouvindo o CD “Dê-se ao Luxo”, do Edson Cordeiro, quando tinha uns 13 anos. Em “Não se Reprima”, ele cita o wondernome e coloca a imagem de Claudia no imaginário de quem ainda não a conhece. E foi assim comigo, quem era Claudia Wonder? Depois aconteceu aquilo de começar a aparecer informações sobre o que você procura, o que muitas vezes nada mais é do que você prestando mais atenção àquilo.

Aí comecei a ler mais coisas relacionadas ao mundo gay e o wondernome aparecia sempre ligado a alguma ação de prevenção ou conscientização, ou um trabalho com transexuais, um livro, um CD, performances... Fui descobrindo que Claudia tem talento e informação demais para ser classificada apenas como uma transexual que faz shows. Suas próprias apresentações no Madame Satã marcaram época por quebrar o paradigma de até então. O mais interessante é que eu não presenciei isso, mas foi tão marcante que toda boa retrospectiva da noite de São Paulo inclui esses momentos, marcantes não só para a época, como provado.

Então ela escreveu seu “Olhares de Claudia Wonder”, que caiu direto na minha mão para uma leitura e posterior resenha. O texto fluído foi lido em pouco tempo, e minha admiração por ela começou a ficar maior. Todas aquelas histórias de transexuais, com seus sentimentos (coisa esquecida pela maioria das pessoas) e desejos e as reflexões wonderianas abriram minha cabeça e derrubaram muitos preconceitos que eu, infelizmente, ainda tinha.

Inclusive eu acho ridícula a hipocrisia do mundo gay. Ninguém admite que tem preconceito contra outros grupos do mundinho. Todo mundo é super tolerante, mas quando alguma fofa passa com uma roupa barata, mesmo que bonita, chovem xoxos. Ainda bem que li o livro.

Coincidência ou não, pouco tempo depois da matéria publicada encontrei pessoalmente com Claudia, que, coincidência ou não (de novo), sentou bem ao meu lado durante o desfile da grife 269. Foi tudooo ver uma travesti entrando em uma sauna, convidada pelo dono e acompanhada de outra amiga trans. Mais uma vez ela quebrava barreiras. Claudia abria seu leque enorme para espantar o calor que vinha do vapor da sauna – e da beleza dos modelos – e começamos a conversar. Uma fofa. Super educada, inteligente e agradável. Saí de lá com mais boas impressões.

Mas porque, afinal, eu decidi escrever sobre Claudia Wonder? Bom, uma figura como ela sempre merece um post, mas este tem um motivo: a música dela. Confesso que nunca tinha ouvido o CD "Funkydiscofashion". Encontrei nos arquivos do meu computador um remix de “Mulher do Balcão” que algum outro repórter deve ter baixado. Coloquei para tocar e adorei. É dançante, bem feito e tem um toque muito charmoso de submundo ao falar de bares, conquistas e dissabores. É a trilha sonora de vários locais, de muitas pessoas e de quase todo homossexual. Quase todo porque sempre tem alguém que faz questão de ser do contra.

A voz de Claudia rasga a música e avisa que o recado está dado: a mulher do balcão é perigosa, toma champagne e bebe pinga com limão. Imagino um cenário de luz frágil, uma mulher de boca carmim e vestido colado com olhos de leoa marcando sua presença. Um alter-ego de Claudia? Talvez não, talvez ela mesma, uma mulher, em uma de suas muitas histórias dentro do mundo gay colecionadas durante uma enriquecedora caminhada ao longo de anos. Conheça Claudia Wonder, você pode escolher conhecer a artista, a performer, a cantora, a escritora, a transexual militante ou simplesmente ela, que vem com todas essas em uma só. Wonderful!


Escrito por Hélio Filho às 18h29 Comentários Envie

Meus amigos

10/11/2008

Para mim, meus amigos não têm raça, não têm credo e nem classe social.
Meus amigos são alegres e contagiantes.
Quando estão tristes, logo buscam a ajuda uns dos outros e tudo se resolve.
Meus amigos se apóiam, se entendem e se completam.
Gostamos muito de nós juntos, mesmo quando estamos discutindo fervorosamente.
Meus amigos falam o tempo todo, sobre tudo.
Eles não têm medo de parecerem ridículos quando o que está em jogo é se divertir e conquistar o sorriso de alguém.
Meus amigos falam alto, riem alto, e muito, sempre.
Não nos importamos com nomes, sobrenomes ou posses.
Meus amigos se gostam porque gostam da personalidade um do outro.
Somos sempre sinceros, mesmo que isso signifique a cara feia de um de nós.
Meus amigos são fortes, trabalhadores e têm a consciência de que na vida nada se ganha de mão beijada.
Estamos sempre batalhando, correndo atrás de nossos sonhos, buscando o apoio mútuo a todo o momento.
Meus amigos tiram sarro um do outro sempre francamente, dando a oportunidade do alvo rir de sua própria desgraça.
Eles são verdadeiros, companheiros, sinceros e a favor da felicidade.
Meus amigos são ótimos, me entendem, me corrigem e me deixam confiante.
Por isso eles são os meus amigos, isso me deixa muito feliz.


Escrito por Hélio Filho às 19h50 Comentários Envie


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