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Gay é Bonito

27/11/2008

(Gruta do Lago Azul, de onde vem a água do lago... ninguém sabe ainda)


Levei um susto quando meu amigo Ronald me disse que o Gay Bonito ia ser neste próximo fim de semana. Primeiro porque era sempre em dezembro que o bafo rolava, estava até vendo se dava pra ir e voltar rapidinho. Adoro o Gay Bonito, não queria perder, mas não tem jeito. Pois é, a partir de amanhã a cidade de Bonito, em Mato Grosso do Sul, fica mais colorida, mais alegre, mais gay e muito menos pacata. Pode apostar. Bonito, como já diz o nome, é uma cidade que vale a pena conhecer. Nem é tão difícil chegar, tem vôo para Campo Grande, depois duas horinhas de carro e a cidade já te recebe.

À primeira vista parece ser uma cidade onde você não terá nada para fazer, mas não é nada disso. É claro que não tem muito fervo noturno além dos bares da rua principal, mas a proposta de ir a Bonito é outra, é de relax, de contemplar a natureza. Então, um bom lugar para você entrar nos rios de águas cristalinas (como fica em uma região calcária, a bacia hidrográfica é toda assim) e ver os peixes nadando ao seu redor. Se você esticar as mãos com as palmas abertas, eles vêm até você e ficam se esfregando na palma de sua mão, você literalmente pode fazer carinho neles. Fazer flutuação também é tudo, você bóia e fica vendo toda a fauna e flora do rio ali bem de pertinho.

Para os mais aventureiros, as grutas são o atrativo-mor. Não só aventureiros, místicos também, que acreditam que ali nas grutas alguém um dia deixou alguma mensagem sobre alguma coisa que ninguém ainda sabe o que é, enfim. Inclusive, o cerrado todo é cheio dessas lendas místicas, um dia eu conto. Continuando, tem ainda as trilhas ecológicas, bichos fofinhos como os quatis (não vale achar que é um casaco de pele andando) e as barulhentas araras e toda a fauna de um lugar que fica entre o Pantanal e a Cordilheira dos Andes. Para quem gosta de natureza, é uma ótima.

Para quem não liga tanto assim para os atrativos naturais e adora uma boa bebericada, as cachaças locais de nome Taboa (tá boa, bem?) são um paraíso. Feitas com mel, guavira (fruta típica da região), limão ou canela ou um pouco disso misturado, realmente fazem a cabeça dos turistas. No último Gay Bonito que fui, em 2006, me deixei levar pelo sabor doce da bebida e acabei caindo de uma cadeira e torcendo o pé. Cuidado, a pinga sobe rápido e a vergonha desce mais rápido ainda. Quase rompi dois tendões do pé direito e fiquei de saci-pererê o resto do fim de semana. Nunca dance em cima de cadeiras de plástico, nunca.

Em 2006, fui com um “singelo” grupo de 12 sapas e mais duas bichas. Garanto que foi fervido. A cidade fica toda cheia de bandeiras e as pessoas realmente não te olham torto, elas querem é saber quanto você vai gastar, queridjjjinha. A mentalidade deles é avançada quanto a isso. Gente do mundo todo passa por lá. E ainda tem lei anti-discriminação. A coisa pega fogo nas matas dos balneários e, mais de noite, as ruas quase desertas de uma cidade de 18 mil habitantes ficam beeem movimentadas.

E todo mundo se encontra, mesmo que não se conheça. Como o clima é meio de carnaval (gay) fora de época, ninguém quer saber de fazer carão, até porque todo mundo já acorda na Taboa e o resto do dia a Deus pertence. Nada de roupas muito elaboradas, chinelo e sunga ou shorts e tudo está ótimo. Óculos escuros também, sempre, ainda mais perto da fronteira. Para quem vai, pode procurar o Ronald Rosa, principal organizador do evento. Um fofo, moreno, alto, bonito e sensual, além de muito inteligente e conhecedor de cada palmo de Bonito.


Escrito por Hélio Filho às 19h06 Comentários Envie

Zelê!

24/11/2008


E até que um dia eu conheci a mítica Zona Leste de São Paulo, a Zelê. Na verdade, eu sempre gostei de me jogar em lugares onde nunca estive antes. É bom, tira você daquela visão viciada pelo cotidiano, sem contar a emoção de saber - ou não - se vai chegar ao lugar certo. E eu quase não cheguei. Por pouco não acho a Parada da Zona Leste. Desci no metrô Itaquera e segui a máxima de quem tem boca vai a Roma (e faz outras coisas também) e saí perguntando como se chegava até o centro de Itaquera. Desci ao terminal de ônibus e procurei um que passasse por lá.

Achei, subi e percebi que a maioria das pessoas ficava me observando com certo ar de desconfiança, tipo um forasteiro mesmo. Da próxima vez, juro que vou com um óculos escuro menor e menos pintoso e sem mostrar minhas tatuagens, quem sabe não me entroso mais. Mas tudo bem, segui viagem em um daqueles micro-ônibus e andei mais um pouco, mais um pouco e mais um pouco e percebi que outros nomes de lugares começavam a aparecer, menos Itaquera. Gleba do Pêssego, Dom Bosco, Guaianazes e mais uns outros que eu não lembro agora. Tem até uma rua que chama Jacu.

Estranhei a demora da menina que fazia as vezes de cobradora em me avisar quando chegasse onde pedi a ela. Ela cri cri cri (sinônimo de indiferença) para mim e meu ponto já havia passado há muitas ruas. Apelei para a simpatia que reina entre quem divide o mesmo banco em qualquer tipo de transporte público e perguntei para uma tiazinha do meu lado se já estávamos em Itaquera. Conferindo calmamente as ofertas em uma revista de cosméticos vendidos popularmente, ela me disse que nós já havíamos passado Itaquera e que Guaianazes era o próximo ponto. Agradeci, desci correndo do micro-ônibus e peguei outro de volta para o metrô.

E não é que pouco tempo depois começo a ouvir aqueles tuts-tuts típico de um bom bate-cabelo? Quando olhei pela janela, estava simplesmente ao lado da Parada. Já vi Bill da Pizza com sua looooonga peruca morena em cima do palco fervendo. Tinha chegado. Fui comemorar com uma boa garrafa de água sem gás, até porque, era o fim de feriado prolongado e... enfim. Fui comprar a água e já comecei a perceber a diferença entre o centro e o bairro: o vendedor deixou o isopor dele com todas as bebidas para que eu cuidasse enquanto ele pegava a água em algum outro lugar – longe, porque ele demorou. Aí fiquei com aquela cara de Print Screen esperando ele voltar.

A confiança dele, coisa de quem ainda acredita no ser humano, me deixou até meio passado. Aí que percebi que algumas coisas não podem ser medidas, como a crença de um indivíduo na honestidade de outro. Água na mão, me joguei no meio do público para assistir ao concurso Drag da Zona Leste. Não sei se foi psicológico, mas depois de ver tanta drag batendo o cabelo, mas batendo meeeesmo, muito, muito, acordei com torcicolo do lado esquerdo. Estou parecendo um robô, daqueles que não têm articulação e movem o corpo todo para virar o rosto.

Foi legal conhecer a Zelê. Confesso que também achei divertido quase me perder. Só não gostei de ter que andar horrores para achar uma lata de lixo e jogar minha garrafa de água. Também não é legal o descaso com a praça onde realizaram o concurso. Olhando a Parada da Zona Leste não apenas para descrever, mas sim para refletir, fica nítida a importância dela, que pode não atrair milhões de reais em turismo, comércio e várias outras áreas, mas, pelo menos ontem, atraiu um povo animado que sofre preconceito por ser de lá, por ser gay e pelas duas coisas ao mesmo tempo. um momento para eles, deles, isso é bem legal e não se compra. Descobri que tem uma boate gay lá, quero conhecer! Juro que conto tudo, ou quase tudo.


Escrito por Hélio Filho às 19h14 Comentários Envie


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