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Do Obama à Mooca

21/01/2009

Barack Hussein Obama tomou posse ontem. Não sei, o clima é de otimismo demais. Tudo bem que é bom ser otimista, mas fantasiar não dá. Como diz o José Simão, estão dizendo que Obama cura até catapora. Sacanagem. Menos pressão, vamos devagar. As idéias dele são boas, mas não dá pra esquecer que ele tem que obedecer algumas pessoas mais importantes que ele (ingenuidade achar que elas não existem) para colocá-las em prática, além, claro, de precisar de aprovação no Congresso dos Estados Unidos. Que seja o melhor possível.
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Minha pós-graduação entrou na reta final. Agora é assistir a mais algumas aulas e fazer o último e mais complicado trabalho e pronto, serei um jornalista literário. Complicado isso, já que jornalistas literários são verdadeiros pedintes de espaço nas publicações, salvo a "Piauí", "Brasileiros" e um pouco "Caros Amigos". Precisamos de pelo menos seis páginas para introduzir a matéria. Na décima página nosso personagem começa a tomar forma. Ai que exagero. Difícil conseguir emplacar pautas literárias. Mas serei, mesmo assim. Como todo fim subentende um novo começo, ainda não sei se vou já pra um mestrado ou espero um pouco. Nenhum mestrado me interessou ainda, quem sabe outra pós. Ou outra faculdade, quiçá. Sonho com Psicologia, um dia farei.
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Ontem fui a uma colação de grau na Mooca. Não conhecia o lugar. Achei bem legal, pelo menos na região que eu fiquei, perto do Juventus. Gostei do que vi, vale a pena dar uma conferida nos moços que passam por lá.


Escrito por Hélio Filho às 18h20 Comentários Envie

Eu, minha mãe e Maysa

19/01/2009

Minha relação com Maysa é quase, senão inteiramente, freudiana. Lembro que quando eu era bem criança minha mãe colocava umas fitas-cassete no som todo fim de tarde para aguar o jardim de casa. Ali eu ficava com ela conversando sobre tudo. Tirava dúvidas que me afligiam muito como quem troca a pilha do vaga-lume e porque o sol vai embora. À beira daquela enorme quantidade de flores plantadas uma a uma pelas mãos de enormes unhas da minha mãe, conversávamos, éramos mãe e filho, bem gay isso, eu era bichinha, confesso. Era não, sou.

Voltando à fofice, Maysa era uma das cantoras que minha mãe mais ouvia, ficando lado a lado com Elis. Achava bonito o jeito dela cantar. Lembro que uma vez peguei a capa de uma fita e vi o desenho de dois olhos verdes de sobrancelhas muito arqueadas, quase infernais. Não conseguia entender como aquela voz tão gostosa era da dona daqueles olhos "de buxa" (bruxa, em infantilês). As minhas preferidas eram "Ouça" - adorava quando ela quase ficava sem ar em "que um dia existiuuuuuu" - e "Chão de Estrelas". Essa foi a trilha sonora de um tempo cheio de ternura onde eu já era bichinha e minha mãe jurava não saber (e eu jurava que ela não sabia).

Fui crescendo e vez ou outra minha avó cantarolava alguma canção da Maysa. Claro que ela também cantarolava Dolores Duran, Elizeth Cardoso e algumas do Cauby, mas as da Maysa eram as que mais me chamavam a atenção. Quando, digamos, cresci e virei gente, um dia estava me esbaldando nas gôndolas de CDs a R$ 9,90 nas Lojas Americanas quando ela voltou. Seu CD, o clássico "Canecão apresenta Maysa", estava embaixo de muitos outros, nem todos de qualidade.

Comprei, por R$ 9,90, e nunca mais parei de ouvir, para o desespero das amigas de faculdade que sempre pegavam carona comigo e dos meus ex-namorados. Um deles chegou até a dizer que adorava, mas não suportou o som tocar a décima faixa do CD e já veio meloso pedir pra mudar. Foi preciso muita barba na nuca pra me convencer. Aí percebi que gostar de Maysa era considerado brega, que as pessoas não achavam a Maysa legal, que ninguém nem lembrava dela. Decidi ouvir só em casa, ou no fone de ouvido. Foi o que fiz há alguns anos.

No ano passado, meu telefone tocou e do outro lado da linha (coisa antiga na era digital) minha amiga gritava desesperada:
- Hélio, vão fazer uma minissérie sobre advinha quem!
- Se for sobre mim, quero o pagamento dos direitos em dinheiro.
- Ai, não viaja. É sobre a Maysa.
- Maysa? Mas será que vai dar certo contar a vida dela? Não foi nada fácil, a Globo vai ter que amenizar.
- Que nada, o Jayme Monjardim vai dirigir, diz que vai falar tudo sobre a mãe.
- Duvido.

Uma semana antes de estrear "Maysa - quando fala o coração" vários amigos estavam loucos para ver logo. Os mesmo amigos que torciam o nariz quando eu colocava meus CDs dela para tocar. Maysa virou moda, ficou hype e comercial. Uma pena. Pena maior para quem é pão-duro como eu e agora está pagando muito mais do que R$ 9,90 em um CD dela. Bons tempos da gôndola da Americanas.

Quando a minissérie estreou, deu para perceber que a produção era ótima, o elenco também muito bom. Preferi não dizer nada até acabar para poder dizer com certeza que não gostei. Não gostei. Pronto, disse. Quando você pretende contar a vida de alguém, você conta. Se a vida de Maysa era censurável, então que não a reconstruíssem para a televisão aberta. Maysa ficou ridícula depois da minissérie, foi minimizada, colocada como uma mulher que fica fraca, perdida, sozinha e triste com a morte do marido... e só.

Larissa Maciel fez um ótimo trabalho, irretocável na interpretação. Mas ela poderia ter brilhado muito mais se o roteiro fosse mais fiel à realidade, se Manoel Carlos não tivesse confundido Maysa com uma de sua Helenas que moram no Leblon e vão ao Doutor Moreti. Maysa era um furacão, deliciosamente petulante, agressiva, corajosa. Bebia porque tinha um tormento interno que só cessava quando ela cantava, coisa que o marido retratado como seu alicerce odiava, recriminava e algumas vezes usou como moeda de troca. Maysa foi obrigada a doar o lucro de suas apresentações para obras beneficentes para poder continuar cantando com o sobrenome Matarazzo.

Manoel Carlos é cotidiano demais e Monjardim parente demais. Não, por mais que o diretor diga que conseguiu se distanciar, fica clara sua mágoa com a mãe relapsa e seu endeusamento do pai. Maysa não caiu porque André morreu, ela sempre esteve caída, era do chão que nasciam suas músicas. A Globo ficou devendo essa para o público, mais essa. Larissa Maciel era Maysa, com certeza, mas a Maysa não era Maysa. O coração dela não falava calmamente, gritava. Saudades da Maysa do jardim. A Maysa que tinha problemas com seu peso, cortes no rosto (resultado de um acidente de carro onde dirigia bêbada), cabelos despenteados por gosto, dedos amarelos e dentes não muito estéticos. Maysão, como carinhosamente chamo.


Escrito por Hélio Filho às 17h43 Comentários Envie


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