BLOGS: Blog do Hélio

Blog UOL

The same old fucking history

05/02/2009


Não é um post sobre a Cyndi Lauper, só queria fazer um trocadilho bem gay no título. O post é sobre putaria mesmo, putaria na internet, pegação, desejo, de onde tc brow, como vc é, o q curte. Mas nem adianta se animar, não vou exaltar as maravilhas do sexo rápido conseguido via internet e muito menos dar dicas de nicks safados para você se dar bem sem ter que gastar o dedo o dia todo na caça. A putaria de internet deste post é mais negativa, incomoda, não dá prazer e só traz desgosto, é a putaria escondida, traiçoeira.

Hoje um amigo veio dizer que não está mais namorando porque pegou o namorado no flagra com um MSN de pegação, desses fakes onde você (ou os outros) só coloca a foto do corpo, parte mais interessante nesse tipo de papo, que gira em torno de músculos, sempre. E não é que o ex do amigo tinha um desses? Quando o amigo descobriu ouviu toda a ladainha de quem acha que nunca será pego, uma conversa com um quê de esquizofrenia sempre. Desculpinhas sem nexo, nada plausíveis e que subestimam a inteligência da pessoa traída, ou em vias de ser.

“Nunca uso”, “entro só para bater papo” e a clássica “nunca pensei em ter contato real” já fazem parte do top 3 das desculpinhas. Há pouco tempo, outro amigo, também amigo desse amigo (que confuso), sofreu a mesma coisa, e também terminou. No ano passado, essa novela era protagonizada por mim, que também terminei. Eu realmente não entendo porque as pessoas querem namorar se elas querem continuar solteiras. Até entendo que o relacionamento possa se desgastar, o tesão diminuir para com a pessoa amada e aumentar frente ao extenso e diversificado mercado da carne gay. Mas vale uma conversa sincera, abrir o jogo mesmo e dizer que talvez seja a hora de rever a noção que o casal tinha sobre o termo fidelidade.

Uma vez um amigo que tem relacionamento aberto me disse que o companheiro dele ficava com outros, tudo bem, mas que era fiel a ele em outras coisas bem mais importantes do que só na cama. Entendi e achei que ele tinha razão, concordei, mas não serve pra mim. Criação católica ou não, sou monogâmico e fiel, ainda acredito no amor eterno e na beleza do jardim da paixão, bem sonhador mesmo, bem Alice. Levei uns trancos no último relacionamento e mesmo assim mantive a capacidade acreditar nas pessoas. O MSN de putaria surgiu na minha frente e algumas vezes ia além disso.

Subestimaram minha inteligência e isso é a coisa que mais me irrita no mundo. Posso ter cara de bonzinho, mas otário não sou. Sou inteligente o bastante para saber bem o que quero e o que não quero. Para que eu vou complicar minha vida tendo um namorado e enganando ele na sauna, rua, cinemão, shopping ou sei lá onde? Viver achando que ele desconfia de algo. Cruzes! Eu engano apenas a mim mesmo assim, porque acredito estar fazendo tudo certinho, escondido, sem ninguém saber. Mas e a sua consciência? Vale a conversa sincera para você poder dar as escapadinhas de mente livre da culpa. Abrir o jogo sem medo de ficar sozinho antes que suas puladinhas sejam descobertas e se tornem mais graves do que realmente são.

O corno é o último a saber, ok, mas você não precisa perpetuar isso. O mundo contemporâneo prega a liberdade do ser, o individualismo, e nada mais liberto do que ter a mente livre de mentiras e histórias fantásticas para enganar seu namorado. Livre mesmo é aquele que sempre será como sempre foi e continuará conquistando espaço por ser ele mesmo, não alguém que esconde algo, dissimula. Deitar a cabeça no travesseiro e dormir não tem preço. Por isso minha vida é dividida entre o que faz eu deitar assim e o que não.

Nunca entendi meu ex e sua mania de viver em um mundo próprio onde as desculpas e histórias dele faziam sentido (só lá). Não posso dizer com certeza, mas acho que se ele tivesse admitido as muitas escapadas se mostraria homem de verdade para mim e amenizaria a traição, talvez. Nunca entendi porque uma pessoa namora só para ter alguém, por carência, e não por atração. Nunca entendi porque permiti tanta coisa como o MSN de putaria. Acho que nunca vou entender porque a maioria das pessoas hoje em dia só se sente feliz se estiver em vantagem em cima da outra pessoa. Pode soar conservador e moralista, mas a minha noção de amor ainda não mudou. E não, não tenho um MSN de putaria.


Escrito por Hélio Filho às 13h29 Comentários Envie

Coisa mais maior de grande

04/02/2009

(Eu pegava)

Nunca gosto mais dos filhos de cantores do que dos próprios cantores, tipo Maria Rita e Elis Regina, Luciana Mello e Jair Rodrigues e por aí vai. Hum, começar um texto com “nunca” é forte, gostei. Enfim. Mas como é a exceção que prova a regra, gosto mais do Gonzaguinha do que do Luís Gonzaga. E ultimamente a obra dele, para meu deleite, tem sido muito rebuscada naquele programa que eu já disse que adoro: novela.

No ar atualmente está “Feliz”, tema da sofrida, magra e suicida Duda, não muito bem interpretada pela atriz Tânia Khalill. Da primeira vez que ouvi a música na novela quase não acreditei. “E Vamos à Luta” tinha sido tema da abertura de “Duas Caras” há pouco tempo e “Redescobrir” da abertura de “Ciranda de Pedra”. E novamente Gonzaguinha estava habitando um dos dois CDs com um ator ou atriz na capa que garantem bom lucro à novela e preenchem os playlists das FMs.

Glória Perez parece também ser fã dele. Quem não lembra de “Explode Coração”, com o casal cigano Igor (melhor nem lembrar muito da atuação do Ricardo Macchi, né?) e Dara (Thereza Seiblitz)? O nome da novela já era o de uma das mais famosas músicas do Gonzaguinha. Tudo. Mas é uma pena que esse resgate da obra dele fique circunscrito a paixões avassaladoras de novelas. Pouca gente conhece as músicas dele além de “Sangrando”, “Explode Coração” e “O Que É, O Que É”, uma pena. Eu mesmo só conhecia os sucessos, e ainda por cima interpretado por outras pessoas (Elis, Bethânia, Joanna, Simone).

Mas há quatro anos, no Carnaval de 2005, eu descobri Gonzaguinha por completo comprando o CD “Coisa Mais Maior de Grande – Pessoa”. Comprei pela capa porque me identifiquei e queria descobrir mais sobre aquele artista que para mim era poucos sucessos e um nome recorrente quando se falava de grandes compositores brasileiros. Lembro que estava com minha amiga Luciana revirando as gôndolas de CDs da Americanas e vi a capa desse CD. Comprei na hora.

Como não éramos, e nem somos, muito foliões, fomos para casa ouvir. Tive uma ótima surpresa. Mesmo sendo ouvido depois de Cartola, como no caso, Gonzaguinha mostrou que tinha um bom trabalho. O ritmo de cantar dele é único porque as músicas são feitas dele para ele. É muito difícil cantar Gonzaguinha porque as letras são musicadas com um ritmo poético, não-linear (e que beira a desarmonia), que exalta certas palavras e encobre outras propositalmente. Para esses cantores acostumados ao esquemão estrofe-refrão-estrofe-gemidinho é bom nem tentar cantar Gonzaguinha.

Depois foi natural minha busca por mais e mais CDs dele, sempre encontrados estrategicamente nas gôndolas de R$ 9,90 do Extra e da Americanas. Só “Olho de Lince – Trabalho de Parto” e “Grávido” que não conseguia achar, mas acabei encontrando em uma banquinha de um simpático tiozinho na feira da Benedito Calixto. “De Volta ao Começo”, “Gonzaguinha da Vida” e “Alô Alô Brasil” foram presentes deliciosos do Valter, que todo mundo chama de Valtinho (juro que não consigo). Completei a discografia inédita, não vou comprar coletâneas e discos ao vivo porque não gosto.

Adoro as observações que ele faz nas músicas. Um compositor que dialoga com o presente. Prova disso é que as composições de Gonzaguinha podem ser dividas em dois períodos: começam com um tom inconformado e crítico da então Ditadura Militar brasileira. Como ia contra o sistema, não era muito destacado pela mídia e nem fazia questão disso. Outra fase é a partir da metade da década de 1970, quando suas canções começam a ter elementos lúdicos, mais leves, reflexo da abertura política no País. Como outro ícone para mim, Maysa, Gonzaguinha morreu em um acidente de carro, em 1991.

Agora é esperar para ver se mais algum autor de novelas escreve a história de um casal que mereça tal trilha sonora. Para quem bem viveu um amor, ops, para quem quer se aventurar nessa obra, recomendo uma ordem (não-cronológica) de audição dos CDs: “Recado” (1978), “Moleque” (1977) e “Plano de Vôo” (1975) são os três melhores (na minha opinião) e mais digeríveis, bom para começar. Depois passe para uma fase mais complexa com “Alô Alô Brasil” (1983), “Luiz Gonzaga Júnior” (1974) e “Coisa Mais Maior de Grande – Pessoa” (1981). Boa viagem.

Aqui alguns vídeos para você começar.


Escrito por Hélio Filho às 13h13 Comentários Envie

No vela

02/02/2009

Bahuchara Mata, deusa que exige de seus seguidores (todos homens) vestirem-se como mulher, a castração e o celibato.


Como todo bom brasileiro, adoro novelas. A diferença é que eu assumo, tem sempre aqueles que quando você pergunta se assistem já vêm com aqueles desvios de resposta tipo “minha mãe estava vendo e eu assisti”. Como estava dizendo, eu adoro, e se tiver tempo assisto todas: Vale a Pena Ver de Novo, das seis, sete e oito, que começa às nove, mas ok. Não adianta tentar conversar comigo quando estou vendo novela, a ficção sempre ganha. Amigos mais próximos já sabem disso e só se atrevem a puxar papo nos comerciais, com hora marcada para acabar, claro.

Sábado de noite estava eu com minha inseparável companheira Vavá na casa de um amigo que se preparava para sair na baladinha à procura do bofe que tinha conhecido na quinta-feira, bem coisa de bicha isso. Antes do amigo se jogar no ABC Bailão, estávamos vendo “Caminho das Índias” e apareceram os hijras, figuras hindus que são consideradas o terceiro sexo, terceiro gênero. Transgêneros e intersexuais MtF (Male to Female, "de Homem para Mulher", em português) da Índia, do Paquistão e de Bangladesh, para ser mais exato.

Ninguém os chama de traveco ou viado, eles são respeitados e até temidos. Isso por causa da crença hindu muito mais baseada no espírito, transcendental, do que em valores morais terrenos como fazem as religiões ocidentais. No hinduísmo, o espírito escolhe se será homem ou mulher de acordo com os desafios a serem enfrentados, ou seja, o espírito para os hinduístas é uma energia e os órgãos sexuais masculino e feminino são apenas ferramentas para essa energia se desenvolver. Deu para entender que a coisa é bem mais ampla do que simplesmente pênis e vagina?

Sempre achei todas as religiões idênticas em seu cerne. Todas elas dizem a mesma coisa: faça o bem que fica tudo bem. Resumindo é isso. Mas cada uma tem um jeito de dizer isso, o que muda tudo. Por isso tem guerra que dizem ser santa e tanta discussão, porque se cada religião diz para fazer o bem de um jeito e cada pessoa interpreta “bem” de uma maneira, a coisa fica confusa. Para mim, o mundo deveria ser guiado pelo bom senso que diz que sua liberdade termina onde começa a minha e vice-versa.

Por isso, nada de invadir minha liberdade na hora da novela. Todos os dias tenho um ritual e dispenso mais de uma hora em frente a um local de luz vendo homens e mulheres maravilhosas – quase imaginárias - em cenários quase irreais, sempre vivendo histórias épicas e tentando conquistar o máximo de fiéis que conseguir contando uma história escrita por Homens.


Escrito por Hélio Filho às 15h51 Comentários Envie


Busca
Infomix
Receba o boletim de notícias do Mix no seu e-mail.
2006 - MIX BRASIL - © Todos os direitos reservados