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Sincera simpatia

12/02/2009

Eu simplesmente amo, admiro e respeito muito heterossexuais simpatizantes, mas não só aqueles que tudo bem você ficar ali com seu namorado, também os que te veem como mais uma pessoa normal, o que você é. Não ficam observando suas palavras com medo de falar “viado” ou “bichona” na sua frente porque eles tem a consciência de que o tratamento deles com você no resto do tempo é exemplar, é normal, e é isso que eu (e acho que todo homossexual) quero, ser tratado como uma pessoa a mais que está ali, não como uma potencial vítima de homofobia, uma potencial drag queen ou um potencial michê.

Agradeço todos os dias por ter encontrado em meu caminho fora do mundo colorido pessoas que sempre me respeitaram me tratando normalmente. Isso é respeito, é ser considerado pelos heterossexuais como um a mais, como alguém que, inclusive, pode ser vítima de piadinhas maldosas como qualquer outra pessoa. Nunca escondi que era gay, mas também nunca saí anunciado. Mas é claro que dá para notar, e meus amigos notavam. Muitos não sentiram a necessidade de me perguntar, simplesmente me aceitaram sem me questionar.

Nunca deixaram de andar comigo, pelo contrário. Não querendo parecer presunçoso, mas nossas conversas rolavam normalmente, eu conquistei o espaço para estar ali e ser respeitado. Foi assim no Ensino Médio, quando assumi a monitoria da sala na área de Humanas (nem me venha com números, fico mais perdido que filho da puta em Dia dos Pais) e a necessidade de aprender dos meus colegas e a simpatia deles por mim exterminavam (sim, exterminavam) o preconceito.

Na faculdade então eu era mesmo a louca, confesso. Não fazia questão de esconder, mesmo usando uma farda do Exército (sim, eu já fui militar). E foi assim por quatro anos. Ensinei a algumas amigas truques valiosos sobre o sexo masculino e sempre era procurado como ombro amigo nas horas de separação delas. Na pós-graduação eu já sabia que se alguém ali tivesse preconceito estava no lugar errado. Foi assim que no ano passado eu entrei na sala da Academia Brasileira de Jornalismo Literário sem medo. E fui bem recebido.

Claro que algumas panelinhas sempre se formam, não foi diferente comigo. Foi nela que conheci Rodolfo, menino de Marília com um dom excepcional para escrever contos, mas teimoso na hora que eu imploro para ele cortar o cabelo. “Tá bom assim”, diz em tom heterossexualmente despreocupado. Quando a pós começou eu ainda não trabalhava no Mix, fazia assessoria de imprensa e indiquei Rodolfo para trabalhar comigo. Eu achei que ele fosse estranhar de trabalhar em uma agência de comunicação onde só existem mulheres e gays, mas não. Rodolfo é o hétero mais gay que eu conheço. Nasceu errado gostando de mulher.

Uma vez até confessou que deu um beijinho em um amigo para experimentar, mas os traços masculinos realmente não atraem Rodolfo (já nós, né, leitor? Abafa). Ele gosta mesmo do cabelo cacheado e negro da “Nêga”, apelido de namorado para Winee, uma carioca fofa e linda que tem uma pele de dar inveja (entendeu a relação?)! Como sabe com certeza do que gosta, conversa normalmente comigo sem medo que eu o ataque sexualmente ou saia falando que temos algo a mais. Porque esse é um medo dos héteros que convivem com gays: serem rotulados. Rodolfo nem liga, faz troça se alguém tenta insinuar que nossa amizade vai além e dá risada, deixando o acusador sem graça, como ele é para fazer uma brincadeira assim.

Estava eu um belo dia contando uma das várias histórias alucinantes do fim de semana quando disse que havia caído. Ele correu e me corrigiu na mesma hora: “divas não caem, se deixam levar”. Pronto, arrasou. Um hétero falando isso com tranqüilidade, fazendo essas brincadeiras super queer sem medo de parecer gay, de levantar suspeita sobre sua sexualidade. Ele até dá opinião sobre os bofes, diz que não gostou, que gostou, que eu mereço melhor ou que o cara merece melhor – porque ele também é sincero. Fala se o cara é bonito na boa, Rodolfo é o homem moderno, que se importa com o que realmente interessa.

Não quer saber se fulaninho vai achar que ele é gay só porque disse que um homem é bonito. Isso é coisa do passado, quando as mulheres não usavam calças e os homens ainda autenticavam seus contratos com o fio do bigode. Quando saí da casa do meu ex, Rodolfo me conhecia somente há 15 dias e mesmo assim se prontificou a ir comigo, ficou preocupado em me deixar ir sozinho por vários motivos que não vem ao caso. E foi comigo. Deu uma super mão na hora de carregar minha gigante mala e, de quebra, ainda respondeu simpaticamente ao ridículo questionário que meu ex fez para ele querendo descobrir se Rodolfo era meu novo romance.

Não, Rodolfo é heterossexual, mas, além disso, ele é humano, o que significa que ele tem a consciência de que homossexuais são apenas pessoas que gostam de seus iguais. Pessoas como qualquer outra. Rodolfo é o mais gay dos meus amigos heterossexuais. Adoro isso. Amo o Rodolfo e posso escrever isso tranquilo, sem ele achar que eu estou dando em cima dele. Até porque depois que viro amigo não consigo ir além disso, travo totalmente. A história de chupar a amiga no fim da noite se não pegou ninguém não dá certo comigo. Seria muito legal se todo heterossexual fosse humano como Rodolfo. Eles teriam muito mais amigos legais... e nós também.

Rodolfo é tão heterossexual que mesmo quando tenta se aventurar a escrever algo homoerótico acaba caindo no clichê de macho. Um de seus contos foi publicado aqui no Mix e fala, claro, de duas mulheres se pegando, fetiche de 99% dos homens héteros, segundo o Chutator Supositator Hipotesitator Institute. Baby, amigo, fofo, querido, colega, um beijo cheio de carinho fraternal no seu rosto. Obrigado.


Escrito por Hélio Filho às 18h32 Comentários Envie

Nhé

11/02/2009

Estou meio chateado hoje, não sei se escreveria algo legal. Então, é melhor ficar quieto. Precioso conselho.


Escrito por Hélio Filho às 14h04 Comentários Envie

Tá mudada!

09/02/2009

E não é que eu mudei de casa mais uma vez? Já é o 4º lugar que eu moro aqui em São Paulo em menos de dois anos. Já estou especialista em mudanças. É engraçado como mudanças de casa mexem não só com móveis, mas conosco também. Você começa a descobrir coisas que estavam perdidas na bagunça e tem a oportunidade de começar tudo de novo, colocando as coisas em outros lugares sem ser metaforicamente, o que é o melhor.

Passei o fim de semana nessa função. Mochilas, malas, caixas e sacolas pra cima, pra baixo, uma loucura. Ainda bem que eu não tenho muita coisa, reflexo de uma existência mais Self e menos Ego. Na verdade, uma curiosidade, se se pode chamar assim, que percebi é que meu maior patrimônio são meus CDs, tenho mais CDs do que roupa, livros ou qualquer outra coisa. Haja música. Outra coisa que descobri foi que você deve sempre medir os espaços de sua casa nova antes de comprar o que quer que seja. Não corra o risco de chegar em casa e perceber que a cortina do banheiro é menor do que deveria.

É nessas horas que a gente valoriza mais ainda nossa mãe. Mães parecem ter um poder de fazer as coisas sempre certas, deve ser porque elas sabem como fazer. Minha mãe teria medido, nem que fosse com os pés, o tamanho do banheiro, bem como da cozinha, sala, quarto, closet e até da varanda. Mas como eu cresci e não moro mais com ela, tive que aprender a fazer isso da pior maneira, errando.

E limpar a casa então? Gostaria muito de saber em primeiro lugar como um ser humano consegue fazer com que a mangueira fique sempre dentro do balde e nunca escape dele molhando todas as coisas ao seu redor. Depois alguém me explica porque o sabão em pó é algo que sempre está associado à água, mas tem uma embalagem que deve ficar bem longe dela para não rasgar. Outra curiosidade é como é possível que alguém consiga deixar o chão 100% seco só com o rodo. O meu, super pintoso, verde-limão, gritou ontem a tarde toda quando eu lavava (sim, lavava) a casa e mesmo assim um quê de água ainda estava ali.

Nem vou começar a falar sobre cozinhar, isso eu nem me arrisco. Um dia eu descubro como transformar pacotes de supermercado em comida sem levar ao microondas, juro que consigo. Vai ser a primeira coisa que aprenderei depois de montar um bom esquema de dono-de-casa no setor “limpeza”. Vamos ver aonde isso vai parar. Só espero não colocar fogo em nada.

Mudar é assim mesmo, como já diz o nome, é se reinventar, e essa é minha intenção. Agora moro em uma casa com varanda, passarinhos cantando e um precioso silêncio no bairro, sem contar que abro a porta de casa e dou de cara com uma verdíssima árvore. No fim da tarde, dá para ver o pôr-do-sol e aquelas nuvens cor-de-rosa no céu. Lindo.

E assim eu vou mudando, sempre. Com a nova casa vêm novas atitudes, novas idéias, novos pensamentos. Fiquei empolgado com essa coisa de dono-de-casa, pretendo ficar mais em casa agora, bem mais, vendo o céu, escutando os passarinhos... Tenho certeza de que vai sobrar assunto pra postar aqui.


Escrito por Hélio Filho às 17h20 Comentários Envie


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