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A pão e água

25/02/2009

 

Esse Carnaval foi o das primeiras, muitas “primeira vez”. Primeiro Carnaval em muitos anos que não bebo nada alcoólico e tudo e tal. Sobriedade quase total, mas não perturbante, não mesmo. Primeira vez também que eu fui a uma pool party. Os meninos the weekeiros aqui do Mix sempre vão e falam como é. Como não sou muito afeito desse microcosmo nunca tinha ido. Tinha curiosidade, e fui matá-la.

Em primeiro lugar, não consegui entender porque chama pool party se a piscina ficou coberta. Já haviam me dito antes que ela servia só de decoração e ninguém nadava. Que era coisa de gente brega nadar. Ok, mas podia ter a piscina descoberta para refrescar. Mas, pensando bem, e acho que é esse o motivo, se a piscina estivesse descoberta na pool que eu fui o clube jogaria gente ladeira abaixo porque estava bem lotada a festa. Mesmo assim, um dia vou a uma pool e me jogo na piscina fazendo nado sincronizado (que visão do inferno) só para ver a cara das pseudo-finas me xoxando enquanto eu rio delas rindo de mim! Deixo a dica.

Deve ser algum tipo de moda também ir vestido inteiro de branco. A maioria das pessoas estava assim, algumas até com quepes de marinheiro. Carnaval é isso aí. Quando todo mundo se colore horrores, tem gente que prefere o branco, que é a união de todas elas (ou a ausência, para os pessimistas). E o povo é bem animado, hein? Dança a noite toda sem parar e sua, muito, o tempo todo (por que será? hihihi). O mais legal de ficar sóbrio na balada é ver as doidas da vassoura, como diz o Erik, chegarem com uma cara, linda, e irem embora (quando vão) com outra, destruída.

Aí se você não altera sua consciência e não entra naquela onda de todo mundo, mas mesmo assim quer ficar ali com os amigos, a alternativa é justamente, como já diz o nome, buscar maneiras alternativas de diversão. Tipo aproveitar o estado vulnerável das amigas pra gritar à toda hora “abraço coletivo” e rachar o bico de ver as doidas se abraçando toda hora como se fosse a primeira vez, porque para elas é. Ou começar uma frase pela metade e receber uma resposta afirmativa do amigo como se ele tivesse entendido tudo o que você disse, mas que não tem sentido nenhum.

Pode parecer maldade, mas, ah, credo, isso não é justo. A, digamos, irmã sóbria da turma merece se divertir. Afinal, é ela, no caso, fui eu, quem fica toda hora jogando água na nuca das colegas e arruma um leque do nada para fazer um ventinho quando os olhos começam a virar, dá a mão para elas apertarem sem parar no topo da viagem (e apertam forte, hein?) e se preocupa em comprar aquela Coca-Cola providencial no fim da noite. É ela também que não deixa as elzeiras uó se aproveitarem das amigas vulneráveis e está de olho em cada mão que passa pelo grupo.

Foi legal ir à pool, ainda mais sóbrio. É engraçado ver todo mundo se mordendo, se beijando fortemente e falando muito vários assuntos ao mesmo tempo. Sem contar que você cata cada escapada de cada casal e a sensação de dançar a noite toda quase sem parar sem tomar nada é energizante. Quanto mais se dança sóbrio, mais se quer dançar. E eu dancei, fiquei até com dor na perna esquerda. Não vou fazer a linha careta e dizer que é ruim não estar sóbrio, que isso ou aquilo, nem sempre fui sóbrio e sei que cada um faz o que bem entende de sua vida, por isso a minha será assim, sóbria para ser divertida. Para quem não pensa assim, boa viagem!

Uma pena só foi estar sóbrio quando por duas vezes o segurança nada profissional gritou comigo achando que eu seria uma daquelas pessoas que nem sabe o que está acontecendo e simplesmente vira as costas. Não, eu entendia tudo e percebi que ele foi grosso, nada profissional e lamentável. Nessas horas sua sobriedade te faz mal porque você vê que nem sempre os clubes te dão o tratamento que você merece, que todos merecem. Eu não saio da minha casa para ouvir grito de segurança, que deveria estar ali me protegendo. 

E ele gritou comigo simplesmente porque, como muita gente durante toda a festa, eu estava sentado em um canteiro de plantas descansando (sem destruir as plantas). Tudo bem ele tirar o povo dali, mas antes a casa disponibilizasse lugares para o povo sentar. Isso se chama profissionalismo, demonstra cuidado com os clientes. Não só os sóbrios, mas também os vulneráveis, que também querem descansar um pouco, mesmo que o corpo não. O único lugar que achei para sentar foi um banco na porta do dark room. Lamentável, de novo, isso. Se você quer sair do fervo, do monte de gente e da música alta, é obrigado a sentar ao lado do dark, onde as pessoas querem muita discrição, mas acabam sendo o centro da atenção de quem senta ali porque não tem outra alternativa.

Fica aqui um pedido do pequeno grupo dos sóbrios para os donos de clube sempre lembrarem de nós também. Afinal, o legal é ter gente de todo jeito na balada e fazer esse povo se sentir bem junto: gente sóbria, louca da vassoura, de chapéu de palha, de quepe de marinheiro, com ursinho amarrado nas costas, com camiseta, sem camiseta, caída, em pé, com silicone, sem silicone, colocada, deslocada, tresloucada e por aí vai. Não vejo a hora da próxima balada!


Escrito por Hélio Filho às 17h59 Comentários Envie


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