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Não lava roupa todo dia, que agonia

12/03/2009

Continua minha saga lar, doce lar. No capítulo de hoje, a máquina de lavar. Esse aparelho eletrônico que revolucionou a vida das mulheres e hoje é não apenas uma, mas duas mãos na roda de uma pessoa que mora sozinha. Na expectativa de estrear logo o negócio, deixei de ver que a água deve entrar por algum lugar, logo, era necessário que houvesse uma mangueira conectada à torneira e outra à máquina. Mas, oh céus, a mangueira não estava lá, era preciso comprar outra. Foi o que fiz, comprei e cheguei em casa o mais faceiro possível pensando: “hoje eu lavo minha própria roupa!”. Não rolou.
Quando fui finalmente encaixar a nova mangueira ela simplesmente não encaixou. Virei, remexi, revirei e nada. Culpei a mangueira, a torneira e até a fabricante da máquina. Isso foi na terça-feira.

Ontem, também conhecido como quarta-feira, fui até a loja onde comprei a mangueira, aqui perto do Mix, e expliquei para o senhorzinho vendedor que não encaixava, achando um absurdo ele ter me ludibriado para ganhar tão pouco. “E não vai encaixar enquanto você não tirar o adaptador dela, tem que ir rosqueando para tirar, assim, viu?” Hã? Um adaptador? E lá eu era obrigado a saber que tinha ali um adaptador de rosca que deveria ser removido? Rá, francamente!

Com a cara no chão, rabo entre as pernas e rachando de rir com o Irving, saí feliz da loja pensando que finalmente chegava o dia em que eu iria lavar minha roupa. Não rolou parte II. Encaixei a mangueira e fui abrir a máquina. Para minha surpresa, e raiva por ter jogado R$ 7 fora, a mangueira original da máquina estava lá dentro. Como eu sempre digo, bicha burra sofre, muito. Tudo bem, a mangueira que sobrou fica de reserva, afinal, mangueira nunca é demais em casa, néam?

Mas você deve estar se perguntando, por que não rolou? Simples, depois de tudo pronto para o grande momento da limpeza, no exato instante de ligar a máquina, colocar na tomada e mandar brasa, advinha... Não vou falar, advinha... Tá, eu falo. A tomada da máquina não é normal, tem três pinos que, segundo o tiozinho da loja, “é de faca” (seja lá o que significar isso). Hoje, no terceiro dia de luta por ter o direito intransferível de lavar roupa, consegui resolver (eu acho) a situação comprando um adaptador de tomada. Simples assim. Espero chegar em casa hoje e arrasar em minha primeira lavagem de roupa – sem confundir desinfetante com amaciante, de preferência.


Escrito por Hélio Filho às 16h14 Comentários Envie

Paixão, não o nome do óleo da Sandy

11/03/2009



É sempre muito complicado mexer com as paixões das pessoas. Paixões não no sentido do bofe da hora, não, paixões como Política, futebol e religião. Não se discute, já fala o dito popular, cada um na sua. Concordo, ainda mais porque acho difícil se chegar a um consenso sobre uma coisa que só existe justamente pela falta dele. Como seria se todos fossem palmeirenses? Católicos? Marxistas? Paixões são temas complicados porque quem as têm também possui a certeza de que elas são as melhores, a mais tudo, maravilhosas, indiscutíveis ever.

Para jornalistas, paixões são sempre ótimas pautas, mas escondem armadilhas dependendo de qual delas você está falando. A principal e mais perigosa, pelo menos na minha certeza, é a Política pelo único fato de que ela não existe mais em abundância, deu lugar à politicagem. Política, para Platão e Aristóteles, era fazer com que todos tivessem os mesmos direitos e o mesmo acesso a eles em um país, povo, nação. É igualar os desiguais. Não preciso falar que por aqui a coisa não anda por esse caminho sempre, né? Pois é, como virou um jogo de interesses, acabamos correndo o risco de cairmos em um buraco armado justamente pelos interessados.

Por isso, quando um jornalista sai à rua para uma pauta de Política deve, em primeiro lugar, deixar a bandeira de seu partido – caso tenha – junto com a camiseta e os santinhos em casa, não digo nem na Redação, em casa mesmo. Em campo, somos os olhos, ouvidos e a mente inquieta de leitores que querem saber o que realmente importa, quem realmente está fazendo. Não podemos pertencer de modo algum, enquanto jornalistas, à ultrapassada noção de Direita-Esquerda, principalmente tomando partido.

No movimento LGBT isso fica ainda mais complicado porque, além de partidários, os militantes têm a causa gay em si para se preocupar. Quando dois militantes discutem por qualquer motivo, deve ficar claro que cada um vai defender sua posição até o último instante, e isso é que faz desse ativista uma pessoa apta a estar na militância, essa força. Não tenho histórico militante e até agora não cresceu em mim esse interesse. Por isso não critico quem faz militância, quem grita, briga. Não tenho o direito de criticar algo que não faço melhor.

Por isso, é importante sempre tomar cuidado ao falar de, com e sobre pessoas apaixonadas para não desmerecer o ponto de vista delas. O militante acredita que sua luta é a mais correta, ele se apaixona por ela, o que o faz seguir uma vida toda lutando contra as desigualdades. Cabe ao jornalista interpretar essa paixão, amenizá-la em seus excessos (porque toda paixão é excessiva, ainda bem) e trazê-la à luz dos fatos, quando você tem tempo e espaço para isso, claro.

Será que realmente seu leitor quer saber sobre acusações pessoais que nada contribuem para um debate civilizado, além de sumirem no dia seguinte? É preciso muito cuidado para não ser levado pela onda. Observação e um pouco de astúcia podem fazer o jornalista ver que nem sempre tudo é o que parece e que uma derrota pode representar uma vitória futura muito melhor, conhecida desde a derrota anterior. A Política atual, diferente da grega, é uma cortina de fumaça onde nada fica muito claro, mas também nada te cega. Assopre, o vento da imparcialidade ajuda.


Escrito por Hélio Filho às 18h09 Comentários Envie


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