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Parapapá!

27/04/2009

Obviamente, voltei do Pará, até porque não era meu intuito, nem nunca foi, ficar por lá. Não que eu diga que nunca mais volto lá, mas posso garantir que não fiquei muito entusiasmado com Belém. Deve ser porque estava bem gripado, nem consegui sair do hotel direito e visitas turísticas passaram longe do meu roteiro. Foram cinco dias em um hotel com mais umas 250 pessoas da diversidade da diversidade da diversidade da diversidade sexual. Podia-se ver, e ouvir, de tudo, mas nem tudo pode ser falado, claro.

Do que é publicável, posso dizer que o movimento militante deu uma boa amadurecida. As pessoas estavam realmente engajadas e preocupadas com o que faziam (não que isso não acontecesse antes), queriam construir algo concreto e se jogaram nos grupos de trabalho, discussões e palestras dos cinco dias de programação. Até mesmo as tradicionais brigas, naturais em espaços tão democráticos, ficaram bem minimizadas. Parecia que o povo estava mais preocupado com a causa do que com o ego. Ótimo!

Dá para dizer também sem sombra de dúvida que as lésbicas vêm com tudo. Elas pulverizaram sua participação no congresso e cada pequena roda de discussão tinha uma delas lá, falando, discutindo e opinando. Com reuniões pontuais off-programação, as fofas conseguiram se articular, não discutiram e afinaram um discurso que foi transposto para a Carta de Belém, documento final do evento. Ponto para as mulheres.

Eu adoro sapas e poderia ficar aqui horas dizendo de como foi legal a participação delas no congresso, de como a perspicácia feminina, essa sensibilidade aguçada e sua organização natural estão moldando o segmento que futuramente vai sim desbancar os gays masculinos. Aposto que na próxima eleição da ABGLT, no segundo semestre deste ano, vai dar lésbica na cabeça. E acho isso ótimo.

Mas como não posso ficar horas dizendo isso, é bom falar também de outro povo que começou a dar as caras: os bissexuais. Foram só oito em Belém, mas pelo menos já se forma um início de organização. O que eu não achei nem um pouco legal foi ouvir comentários bem preconceituosos sobre eles, mas deixa pra lá porque falácia é falácia. Eles estão se organizando, conquistando espaço e para quem não acredita na bissexualidade é bom começar a abrir a cabeça (absurdo ter que dizer isso dentro de um movimento que deve agregar a todos sem preconceito).

Eu acredito em bissexuais, assim como não duvido de mais nada relacionado à sexualidade humana. Depois desse curso intensivo de diversidade sexual em cinco dias, convivendo com os mais diferentes gostos, posso dizer que o ser humano é mesmo inclassificável. Tem gente pra tudo e querendo fazer de tudo (desde que seja consentido e com maiores de idade, hein?). O mais legal é que sempre vai ter alguém, um grupo, uma ONG, que estará de olho para que os direitos de todo esse povo sejam garantidos, ou pelo menos estejam no caminho de.


Escrito por Hélio Filho às 16h50 Comentários Envie


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