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Pimba!

06/05/2009

 

A cada milésimo de segundo, uma banda, cantor, cantora ou sei lá mais qual tipo de agremiação musical pipoca na internet. É claro que 90% disso você joga fora porque é pura mistura de tudo que faz sucesso com uma pseudo-pincelada própria. Hoje em dia até a Mallu Magalhães canta (nem vou falar na Ângela Bismarchi – nem sei escrever o sobrenome).

O mais legal para mim é quando em meio a esse monte de gente PIMBA (pseudo-intelectual metido à besta alternativa) eu encontro alguém que vale a pena, que revisita algumas coisas, tem influências, mas faz um som original. Entre essas pencas de novidades que abastecem os iPods de gente que quer ser moderna, uma que realmente vale a pena é o Noisettes. Eles são britânicos, animados, superlativos e colocam qualquer um pra dançar, até aquela sua tia-avó de 112 anos.

Eles misturam punk, soul dos anos 80 e glam rock com a voz de verdade de Shingai Shoniwa (que também é baixista). Remelexo puro sem ser PIMBA. Aqui você confere o clipe de "Don't Upset The Rhythm".


Escrito por Hélio Filho às 18h33 Comentários Envie

Família

04/05/2009

 

Todo mundo tem uma família, isso é óbvio, mas ninguém tem a família que eu tenho, a melhor de todas. A gente briga, fala mal um do outro, mas quando um precisa, todo mundo corre para ajudar, seja como for, sempre como pode. Não somos perfeitos e nem pretendemos ser. Minha mãe às vezes estressa todo mundo. Minha avó às vezes faz uns rolos que duram anos para serem desfeitos, mas estamos sempre juntos, sempre rindo um do outro e falando mal dos parentes mais distantes. Isso é família.

No feriado voltei para a Amazônia, para a casa da minha irmã em Mato Grosso, quase na pontinha norte do Estado. Fui batizar minha sobrinha e fiquei pensando que minha família toda sabe que eu sou gay, mas nunca me cobrou nem questionou nada. Tudo bem que minha avó de 81 anos ainda me pergunta se eu tenho namoradA, mas ela é ainda da época em que as pessoas se conheciam pelos sobrenomes e a televisão nem existia no Brasil.

Em um fim de semana super familiar, eu pude perceber que por mais careta e ultrapassado que pareça, aquele ditado de que a família é a base de tudo é verdade. Receber um abraço de um irmão, no meu caso, de três irmãs, não tem preço, ainda mais se for verdadeiro, sem querer algo mais, sem segundas intenções ou veneno. Abraço de amor, abraço de quem se gosta muito e não saberia viver sem aquela pessoa – mesmo que brigue com ela a cada cinco minutos por bobeiras.

O que dizer então de sobrinhas que correm para te abraçar quando você chega? Abraço grátis, sincero, puro e sempre cheio de sorrisos falhos de dentinhos de leite que estão caindo. Quem nunca recebeu um abraço desses com certeza vai achar meu post careta, piegas, uó... Uma pena, seria muito bom se todo mundo pudesse sentir aqueles bracinhos frágeis e pequenos em volta do seu pescoço, o beijo grudento com gosto de pirulito, o grito de alegria a cada brincadeira, por mais simples que for. Isso renova a alma de qualquer pessoa, joga pra longe qualquer problema. É como se aquele pequeno ser te sugasse para o mundo fantástico dele onde tudo é como deveria ser aqui na vida real, simples.

Nós, gays, muitas vezes temos que sair de casa para podermos ser nós mesmos, o que aconteceu comigo. Para viver plenamente como sou realmente, me distanciei de casa por respeito. Minha família me aceita, me acolhe, mas não é obrigada a achar legal algumas coisas que para os gays o são. E é esse justamente o segredo para se ter uma boa relação: respeito. Eu as respeito e elas me respeitam. Não vou obrigar minha mãe a achar drag queens divertidas. Minha avó não precisa falar “ai que luxo” para eu saber que ela me ama, até porque ela ama o neto dela, que antes de tudo é gente.

Como se não bastasse, minha irmã me convidou para ser padrinho de uma de suas gêmeas. Achei bem legal ela ter essa confiança em mim, confiança no sentido de que eu posso sim ser responsável por uma criança. Foi uma prova de respeito, de amor e de confiança, com certeza. Cada vez que vejo minha família me dou conta de quem realmente sou. Cada vez que brinco com minhas sobrinhas e priminhas volto a ser criança para amadurecer mais ainda. Cada vez que eu lembro da minha família eu lembro também que nunca estarei sozinho porque ela sempre estará de braços abertos me esperando, com o respeito que eu conquistei ao longo dos anos. Isso não tem preço. Quem não tem nem isso, não tem nada.


Escrito por Hélio Filho às 17h42 Comentários Envie


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