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A queda

18/06/2009

Queria muito falar sobre a Parada, mas não fazer mais um balanço, apontar erros e tal. Quero falar sobre o que talvez para mim foi o maior exemplo que eu vi durante todos os eventos da programação inteira. Foi no Gay Day, do Playcenter, no sábado, 13. Os gogo-dancers da Ultra Diesel começavam a dançar pro povo e no fundo do palco uma drag queen vestida toda de preto, com tecidos brilhantes e esvoaçantes, se preparava para entrar e fazer uma performance com eles. Esse fundo do palco era fechado com um tecido, mas que parecia uma parede naquele escuro e no adiantado da hora. Sem perceber isso, ela se encostou ali e o tecido foi cedendo, cedendo, cedendo e ela quase caindo.

Ela estava do meu lado e na hora eu tentei segurar de todos os jeitos. Juntava as pernas da bicha e puxava, puxava o tecido, tentava puxar qualquer coisa para que ela não caísse, até a peruca, que nunca cai da cabeça das drags. Não consegui e ela despencou de cima do palco e caiu de costas no chão, com direito a barulho abafado e tudo. Corri para a escada para descer e ajudá-la, ver se estava tudo bem. Nem cheguei à escada.

Antes que eu pudesse falar “meu Deus, ela caiu!”, a fofa já tinha levantado, sacudido a poeira e subia belíííssima a escada do palco. Com cara de “inhaim” e como se nada tivesse acontecido. Ela nem gritou, caiu e levantou. Pá-pum! Quando subiu no palco já entrou dançando, batendo cabelo, arrasando no salto. E assim foi durante o tempo todo que os ultradancers se apresentaram. Fiquei bege, não, acrílico com aquilo.

Principalmente porque depois descobri que ela tinha se machucado um pouquinho sim, sentia dores, mas mesmo assim foi cumprir seu papel dentro do caldeirão da diversidade. Isso sim é não se deixar abater pelas adversidades, é ter força de vontade e consciência de que quando se cai, do chão não passa e o melhor é mesmo sacudir a poeira e dar a volta por cima. Parabéns para ela.


Escrito por Hélio Filho às 13h15 Comentários Envie

Parou

16/06/2009

É sempre complicado falar da Parada depois que ela é realizada porque cada um tem sua visão, como já disse aqui antes. Cada um viu um ponto mais positivo e outro mais negativo. Eu gostei mais do que desgostei. Achei legal neste ano ter um clima gostoso, por volta dos 15 graus, um pouco menos de gente e mais espaço para andar. Aliás, para quem cobre a descida dos trios na Consolação e sobe e desce o tempo todo a rua, esse espaço foi vital. Devo ter caminhado uns bons quilômetros, com direito a pé pisoteado e meio virado. Mas valeu a pena.

É claro que vários problemas ocorreram, como roubos, furtos, brigas (algumas bem sérias) e até uma bomba. São condenáveis, sempre, mas também esperados. É importante dizer que isso não acontece só na Parada, grandes eventos onde há bebidas alcoólicas e animação também registram ocorrências graves. Quem não se lembra da quebradeira no centro paulistano na Virada Cultural de 2007? Na edição deste ano, uma amiga viu um homem levar uma pedrada na cabeça e cair no chão durante um arrastão de meninos de rua marginalizados.

A coisa fica grande com o preconceito, porque “é coisa de viado”. É óbvio que é preciso cada vez mais segurança e mais do que necessário que os números de ocorrência caiam a cada ano, chegando ao tão almejado zero. Mas não é justo também ficar essa ideia de que só a Parada é violenta, só lá as pessoas exageram no vinho chapinha, só lá as pessoas são furtadas e roubadas. É burrice olhar apenas o pontinho preto na parede branca. 

Tem muita coisa ainda para refletir sobre um dos maiores eventos cívicos do mundo, mas fica para outro post.


Escrito por Hélio Filho às 17h51 Comentários Envie


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