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O que querem as pessoas descompromissadas?

21/08/2009

Nada, tudo, quase tudo, quase nada. Elas querem cada hora uma coisa porque a cada hora são uma pessoa diferente. E isso não é ruim e nem quer dizer falsidade, o caráter continua o mesmo, mudam os desejos, as prioridades. Pessoas descompromissadas, em sua maioria geminianos e aquarianos, são soltas por natureza, não gostam de dar satisfação, não querem discutir a relação e qualquer cara feia já é motivo para um não, não te quero mais. Gente de alma solta no vento e com os pés voando naquele espaço que existe entre a incerteza e o inesperado. Gostam de emoções fortes e um sorvete no parque em uma tarde agradável é algo impensável.

As pessoas descompromissadas me parecem as que estão em maior número hoje em dia. Elas querem ir para a festa mais legal da noite, com a roupa mais legal da noite, com a bebida mais cara da noite e na companhia de todas as mais bonitas da noite. Não estão erradas, cada um quer uma coisa e deve buscar o que faz feliz. E essas pessoas querem viver, sem pensar muito no que isso quer dizer e apenas abrindo os braços para os ventos do destino as guiar. Por isso mudam tanto, a cada pequena rajada de vento a proa mira outros mares e os que ficaram para trás se tornam apenas um passado, um poderia ter sido, não foi, beijomeliganãovousofrer.

Elas estão tão bem consigo mesmas que se bastam, querem apenas um companheiro de viagem noite adentro, e madrugada adentro, afora, adentro, afora. Seus poucos momentos ao lado desse companheiro de viagem podem ser rápidos, mas são intensos. Os descompromissados, ironicamente, são compromissados em se entregar para valer, já que aquela é uma oportunidade única na vida deles, como eles pensam. Por isso o sexo deles é selvagem, de fazer subir nas paredes, o papo é sempre alegre e os programas juntos muito agitados, sociais, badalados.

São pessoas que descobriram um modo de vida que lhes parece certo, e muito prazeroso, e por ele caminham. O futuro só a Deus pertence e um relacionamento pode acontecer, mas não terá cenas singelas como a colheita de uma flor perto do banco da praça, é mais fácil a foto em uma coluna social (de verdade, tá? Tipo Danuza, queridinha). Será atribulado, social, dividido com muitos amigos, contatos profissionais e ex-namoricos. É bom e alegre estar com uma pessoa descompromissada, mas também chato e quase asqueroso quando você presencia o peso de um passado hedonista que teima em ser presente por essa falta de compromisso.

Está aí um ponto importante: não deixar a descompromissada se fazer passar por descomprometida. Porque tem muita gente que berra aos quatro ventos que é fiel, que quer um relacionamento, quer construir, dividir, somar, multiplicar, fazer a geometria do amor e na hora em que o relacionamento engrena ela cansa, volta a ser descompromissada e f*&¨%-se, quem quiser que acompanhe o ritmo, rápido, delas. É aí que muda o tom do discurso, começa-se a pensar em abrir a relação usando desculpas esdrúxulas que beiram a ignorância, como dizer que porque um casal é formado por dois homens não precisa ser fiel, o que além de ser preconceituoso, clichê e errado é muito senso comum, falta de criatividade.

E isso é um perigo, porque uma pessoa descomprometida quer se comprometer, não ficar ao léu esperando uma migalha de atenção da pessoa descompromissada que se passa por descomprometida. Sempre ocupada com tudo ao mesmo tempo (ou seja, nada), a descompromissada deixa cair sua máscara de romantismo e mostra a sua de hedonismo. Uma bobagem fazer isso, em um mundo tão cada vez mais cheio de questões mais urgentes as pessoas ainda se preocupam em querer ser perfeitas, como se nós, humanos, não fôssemos reconhecidos como tais por nossos defeitos.

Quando você conhece uma pessoa descompromissada achando que é descomprometida é o céu, ela quer tudo que você quer, vai fazer tudo que você também quer fazer, quer casar, ter um cachorro, ficar junto para o resto da vida, ou até o próximo ataque de hedonismo vir e você ver a máscara cair de novo. As pessoas descompromissadas são ótimas, mas deveriam pensar duas vezes nas pessoas antes de saírem por aí fazendo promessas. Hoje em dia não é preciso namorar anos para noivar e mais anos para casar. O sexo foi liberto e você o consegue sendo sincero, basta acreditar que se você é descompromissado é porque te faz bem e é assim que você deve agir.

As pessoas descompromissadas são subjetivas, leves, circulantes, sedentas. Por isso, misteriosas, intrigantes, encantadoras, como as sereias. Bom mesmo é seguir o conselho de Homero e tapar os ouvidos para o belo canto se você quer seguir sua viagem para além do pequeno território delas. Porque o canto das sereias é belo, gostoso, atraente, mas te faz mal e impede você de seguir viagem, não dura para sempre. A não ser que você faça a Odisseu e se amarre. Mas aí vai uma dica: deixe-se amarrar (pode ser literalmente) por quem está na mesma onda que você. Senão você fica à deriva em alto-mar e o outro morre na praia.


Escrito por Hélio Filho às 17h37 Comentários Envie

O que querem as pessoas compromissadas?

Compromisso, óbvio. Mas o compromisso delas pode ser de vários tipos: tem quem case com o trabalho, quem case com a família, quem case com os estudos, quem case com uma missão espiritual ou até mesmo, pasmem, quem case com o namorado. O que importa é se sentir compromissado, ter algo pelo que levantar todo dia de manhã, seja lá para que. É a necessidade de ter algo em mente para ser executado, sentir preocupação (não muita, ok?) com algum desafio, algo a ser realizado.

É mais comum as pessoas compromissadas casarem com o trabalho. Capricornianos e taurinos são os que mais fazem isso. Então a pessoa compromissada depende daquilo para viver (não só no sentido econômico) e organizar sua vida a partir disso - porque tem gente que vive e nunca consegue organizar sua vida. Então essas pessoas não se importam em sair de madrugada do trabalho, levar relatórios ou qualquer outro tipo de documento para analisar em casa em vez de ver a novela e passar o Dia dos Namorados enfiadas em algum projeto para o futuro, aproveitando seu tempo profissionalmente enquanto a maioria o faz emocionalmente.

Não só porque são pessoas racionais demais e muitas vezes acreditam que namorar é agendar encontros entre uma reunião e outra, mas também porque nem todo mundo é movido a sentimento, o que não quer dizer uma predominância da racionalidade. Não significa uma predominância racional porque pode ser que algumas dessas pessoas sejam almas tão vazias e sem rumo de si mesmas que se apegam àquilo que têm de mais certo em suas vidas: a rotina de compromissos. Fica mais fácil viver assim, mais fácil, talvez não melhor.

Pessoas compromissadas acordam com seu dia planejado, suas tarefas definidas e até suas refeições com menu escolhido. Isso porque nada pode atrapalhar o planejamento dos compromissos. Então, um pequeno imprevisto vira um furacão imenso. Elas acreditam (e quem vai dizer que é errado?) que precisam enxergar coisas que fazem parte deste planejamento, por isso muitas vezes passam batidas por um bofe lindo, uma mulher estonteante, uma travesti exuberante ou tudo isso ao mesmo tempo (ui).

Aí fica uma dica: para se fazer notar pelas pessoas compromissadas não é preciso necessariamente que você seja uma delas, não. É preciso que você seja interessante, mais interessante do que o relatório a ser lido, a conta a ser paga ou a oração a ser feita. É exatamente aí que mora o problema, porque as pessoas descompromissadas não querem nem saber de fazer muitas concessões, investir muito em um perfil interessantemente sério, elas são elas mesmas ou quem escolheram ser. As comprometidas têm o problema da indecisão e as descomprometidas da falta de certeza de que pode render um comprometimento. Sim, complicado.

Restam as pessoas compromissadas como elas mesmas ou as simplesmente pessoas, que são todas e nenhuma ao mesmo tempo. Agora imagine como é uma pessoa compromissada namorando outra.... “Oi, te dou um beijo naquela reunião das três?” “Amor, faz um relatório do seu adultério?” É claro que isso é só um exagero, mas a coisa é meio por aí. Corre-se o risco de fazer sexo com hora marcada e passar o aniversário de namoro fazendo planilhas – ao mesmo tempo em que você goza da sensação de que se conseguiu conquistar uma pessoa compromissada, coisa difícil de acontecer.

Mas quando acontece e você consegue tirar a planilha da mão dele, o que só depende da sua capacidade e poder de sedução, ah, queridaaa! Aí a coisa pega fogo, você tem a certeza do gostar, do construir, do vou estar aqui e isso enche muita gente de tesão. Que o diga eu. As pessoas compromissadas são aquelas maçãs do alto do pé daquele ditado popular bem famoso. Trepe e alcance-as, ou vice-versa.


Escrito por Hélio Filho às 13h18 Comentários Envie

O que querem as pessoas descomprometidas?

19/08/2009

Primeiro é bom separar os descomprometidos, aqueles que não namoram, dos descompromissados, aqueles que nem querem saber de namorar. As pessoas descomprometidas buscam sua metade platônica, o calor do abraço no começo do sono. É claro que essa busca é cheia de escolhas erradas, expectativas nunca atendidas e desejos que só existem de um lado da relação. Administrar isso, esse espaço entre o ideal e o real, é ser tolerante, desejar a companhia de verdade.

As pessoas descomprometidas muitas vezes abrem mão de suas convicções mais fortes em nome de um possível comprometimento. Não sabem viver sem se dedicar, dividir, somar. Então querem ficar completas com alguém que goste mais do recheio do que do biscoito, já que você gosta mais do biscoito do que do recheio. Querem alguém que goste mais de drama do que de ficção científica, já que você tem horror ao espaço sideral. Mas nem sempre conseguem.

O que querem as pessoas descomprometidas é suprir a necessidade que têm de jorrar seu amor para além de si mesmas, em uma entrega profunda que só um sentimento assim proporciona. Mas nem sempre elas conseguem, repito. Nasce daí uma frustração, uma descrença no comprometimento, no ideal de amor, uma queda da poesia romântica embalada por anos no coração do amante. Essa é a hora em que fica claro que o autoconhecimento é tudo nessa vida.

Basta se conhecer para saber que a frustração é algo superficial, que só cultiva rancor. Basta se conhecer para saber que você pode ser uma pessoa muita mais bonita, por dentro e por fora, do que você imagina. Basta se conhecer para se valorizar, não cair na armadilha de namorar alguém por carência, medo da solidão. Basta se conhecer para adorar sua própria companhia, ficar bem consigo e, aí sim, ficar bem com os outros.

As pessoas descomprometidas buscam se comprometer, mas muitas vezes ficam no meio do caminho por medo dessa frustração, do “não deu certo mais uma vez”. Não pode. O medo afasta a possibilidade de uma conversa gostosa no meio da noite, um calorzinho de tesão quando o telefone toca ou os sonhos loucos com alguém com quem quer se comprometer. As pessoas descomprometidas só querem ser comprometidas, falta só com quem. Agora, o que querem as pessoas descompromissadas? Ah, isso eu conto no próximo post.


Escrito por Hélio Filho às 17h32 Comentários Envie

O que querem as pessoas comprometidas?

18/08/2009

O mundo gay, se é que existe um que não seja apenas uma parcela do mundo como um todo, é mesmo muito engraçado. Existem regras, não sei se dá para chamar assim, normas de conduta aceitáveis bem diferentes do chamado mundo heterossexual (branco, judaico-cristão, capitalista). São comportamentos que provam à toda hora que o mundo é mesmo feito de escolhas. Existem casais, muitos, que levam o tal do relacionamento aberto, onde não existe cerca para pular, camisa para costurar para fora ou testa para colocar um belo chifre.

Não chega a ser normal, mas é comum e eu admiro quem tem a sinceridade de dizer na lata a verdade quando te conhece. E toda bicha pode topar com um deles por aí, a metade de um casal soltinho. Quando rola a sinceridade e você sabe até onde dá para ir, ou até onde vai para dar, não tem crise para quem é solteiro. Afinal, você é solteiro, quem é comprometido é ele, tudo é consentido e entre maiores de idade e depois do suspiro profundo do orgasmo você continua não precisando dar satisfação (até porque já deu, já satisfez). Mas nem sempre essas pessoas pensam assim e acabam fazendo um rolo na sua cabeça.

Um rolo porque ao mesmo tempo em que está bem definido, claro, límpido, óbvio que só vai rolar um lerê de cama já que ele já tem namorado, nem sempre o ele da história se dá conta disso. Eu acho que é porque algumas pessoas precisam muito estar no controle da situação, e nesta situação o controle é do solteiro, convenhamos. Então tem gente que além de manter o jardim de casa quer aparar a grama do vizinho, não só visitar. E então tudo se complica.

Complica porque a linha que separa o te ligar para um “boa noite” do “vem cá meu bofe gostoso” fica tão tênue que some. Aí você não sabe se embarca na onda gostosa de uma conquista sem futuro (ou não, vai saber) ou finca o pé no chão e continua nos poucos momentos intensos. Como bom capricorniano, fico com a segunda. E fico porque eu sou humano, tenho sentimentos e eles podem ser cativados por palavras doces, toques de arrepiar cada fio de pêlo e momentos divididos que batem fundo no coração mesmo que o tempo passe; os momentos de eternidade, que certa vez ouvi de uma metade dessas.

Então, meu conselho, que se fosse bom eu alugaria (porque vender nessa crise tá bravo), é aproveitar cada coisa conforme seu propósito. Entrar em cada situação com tudo muito bem esclarecido. É só sexo? É sexo e papo? É sexo, papo e companhia? Vale repetir a sinceridade de dizer que é comprometido para dizer também se é só uma visita ou se vai ficar para o jantar. E dizer o que quer, com todas as letras, para eu nunca mais fazer a pergunta do título.


Escrito por Hélio Filho às 13h56 Comentários Envie


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