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Tic

11/09/2009

Hare babado fortíssimo. Hoje acaba “Caminho das Índias”, que eu adoro como toda boa novela. Infelizmente perdi as surras da Ivone (Yvone?), a volta do Raul e a revelação da Maya sobre o filho dalit. Pois é, acompanhei a novela quase toda e nos momentos mais legais eu perdi, mas ok. O capítulo de ontem durou quase duas horas e eu, claro, não perdi um segundo. Hoje então... O meu consolo, não aquele das lojas de luzes coloridas piscando (não tenho esse), é que na segunda-feira começa “Viver a vida”, do Manoel Carlos, que é um dos meus autores de novela preferidos.

Deve ser porque gosto da simplicidade e as novelas dele são super detalhistas, cotidianas, comuns sem serem vulgares. É claro que vai ter um Dr. Moretti que atende o Leblon todo, uma Helena que sofre e ama e que no fim será feliz, muita gente rica, culta e bonita, a Lília Cabral como mulher problemática, o José Mayer como garanhão e músicas do Vinicius de Moraes e Tom Jobim.

Aí a gente que mora aqui em São Paulo vai ser obrigado a chegar em casa depois de ter tomado nossa chuva diária, depois de ter enfrentado nosso trânsito diário, depois de ter sofrido nossos empurrões diários no metrô e tudo mais do cotidiano paulistano e ainda ver os cariocas se esbaldando no Leblon/ Ipanema ao som de bossa nova. O morro Dois Irmãos no cenário ensolarado enquanto você pensa na terça-feira paulistana, na saída do feriado, na...

Mas isso é novela, uma fuga da realidade, 60 minutos de fantasia da realidade. Depois que passei um ano todo da faculdade estudando todos os aspectos das telenovelas com minha professora metade brasileira, metade colombiana suspeita de ser das Farc, eu nunca mais vi novela do mesmo jeito. Na foto abaixo, como seria o fim de “Caminho das Índias” se o mundo fosse menos preconceituoso. Tic?


Escrito por Hélio Filho às 12h05 Comentários Envie

I will survive

08/09/2009

Eu simplesmente acho o cúmulo quando em uma festa heterossexual toca “I will survive” e todo mundo olha para a bicha do recinto. É só começar a tocar as primeiras notas na caixa de som que aquela sua amiga louca atravessa a pista gritando “a sua música, beee” e apontando para a sua cara. Um outing total. E o pior é que as pessoas acham que só porque você é gay é obrigado a dançar “I will survive”, dublar, fazer a Maria Louca, rir, gritar, dar bafão. Eu não vou sobreviver a isso, não mesmo.

Isso é comum e eu acho que deva ser mais uma tentativa dos heterossexuais em deixar os gays que eles gostam à vontade, uma maneira de dizer que está tudo bem. É como aquele namorado da sua amiga que te faz perguntas como forma de conversar com você, mas fica horrorizado com as respostas. Como eu sempre digo, só faça uma pergunta se você está preparado para a resposta.

Mas não precisa, não precisa mesmo tratar o gay, a lésbica, a travesti, a trans - e mais toda uma infinidade de gente do arco-íris que se define por si próprio - para dizer que é friendly. Ser friendly é simplesmente não ser nada, não ter tratamento especial, pudores especiais e olhares policiados. Ser friendly é ser normal, falar sem tom cuidadoso e não precisar se desculpar se chamou alguém de viado na sua frente porque você sabe que não é pejorativo.

Ser friendly é chamar a amiga bicha quando toca qualquer música fervida, não só “I will survive”, Madonna, Lady Gaga ou Britney. Prefiro quando toca Raul!


Escrito por Hélio Filho às 17h08 Comentários Envie


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