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Çéquíssú

06/10/2009

Vamos falar de sexo, sim, esse ê xis ó. Vamos falar sobre quem acha que não precisa fazer nada na cama, só ser bonito e ter um bom você sabe o quê. Estava há pouco aqui no corredor do Mix conversando com um amigo de identidade não-revelada e ele reclamou que foi fazer um bofe e o bofe não fazia nada. Nadinha. Aí ele me disse que levantou e colocou a roupa, foi embora e deu o recado, disse que o cara precisava melhorar muito ainda.

É engraçado porque eu já tive essa experiência, e foi péssima. O cara era inteligente, educado, bonito e tudo mais, mas era pior do que um homem machista transando, não interagia, não pegava, não você sabe o quê. Assim não dá, assim não pode. A sensação que dá é de nadar, nadar, na DAR e morrer na praia porque quando o mais gostoso é para acontecer, aquela coisa de pega no outro, outro pegar em você, você em você, o outro nele mesmo e assim vai, quando a coisa ia esquentar já tinha acabado.

Eu, e acredito que meu amigo da conversa e todas as bichas que passaram por isso, ficava com aquela sensação de quando você é criança e vai ao parque, aí compra uma pintosa bexiga com gás Hélio (não eu, o gás nobre, aquele que faz balões voarem) e basta um momento sem seu comando para ela subir aos céus, sem sentar à direita de Deus pai, todo-poderoso, claro. Mas vai, aí você fica lá de baixo olhando a bexiga subir, subir, subir e ir embora para bem longe da sua mão.

Sua diversão vai embora e aí só te sobra aquela cara de coroinha que cometeu flatulência na igreja em frente ao padre. Mas a culpa não é sua, minha ou do meu amigo, a culpa é de quem ou é muito egoísta/cêntrico ou não sabe mesmo fazer um bom lerê. Não me considero o François Sagat, mas no básico me garanto, sei que a outra pessoa tem também que sentir prazer, e é melhor ainda se ela sente esse prazer comigo, olhando na minha cara (e dizendo palavras impublicáveis, adoro!).

No caso das egoístas/cêntricas o problema é lá para a terapeuta. Trabalha essa síndrome de filho único que passa. Mas com quem não sabe é diferente, vale tentar dar uma ensinadinha, mostrar caminhos pelos quais a outra pessoa pode descobrir prazer te dando prazer também. É uma via de mão dupla essencial. Particularmente sinto muito tesão vendo o prazer do outro proporcionado por mim, me sinto capaz de fazer isso, ali a minha frente está a prova de que eu sou capaz não só de bater uma no banheiro, mas usar meus conhecimentos sexuais para fazer um outro, pelo qual eu passo para construir meu autoconhecimento, gozar, gostar e pedir mais.

Embasando-me mais uma vez apenas no meu limitado conhecimento para dizer algo, acredito que isso acontece muito com os caras que são somente ativos. Todo mundo sabe que pelo menos a maioria deles acha que domina simplesmente por ser mais másculo, ser só ativo, acredita que é o macho da relação. Ah, purfa, né? E se é bem dotado a coisa piora, acha que é só sentar e ver estrelas às custas de astronautas dedicados em suas habilidades manuais e orais.

Definitivamente não. Relação para mim que tem um macho é selvagem, sou homem, macho é o bicho, o que não é a fêmea. E essa coisa de achar que subjuga simplesmente por penetrar é um preconceito tão bobo e antigo quanto dizer que gays são só passivos, quem é ativo não. Bobagem, coisa de gente que realmente não aprendeu ainda que o sexo, mesmo quando é uma supermegaultrarapidinha, precisa de duas pessoas para ser feito, senão fica esfregação, masturbação vazia e sem sentido.

Bom mesmo é se proteger sempre e se jogar nesse delicioso abismo que é o sexo, fazer sexo. Tem que se entregar, dar e receber - e não só você sabe o quê. Acredito cada vez mais que as pessoas mal comidas são o câncer da sociedade, freudianamente falando, são reprimidas e, logo, histéricas. E o “mal comidas” nesse caso fala sobre as pessoas que comem, acho bom chamar de mal alimentadas então! Tá com fome? Como diz minha avó: vai na rua, mata um homem e come.


Escrito por Hélio Filho às 18h30 Comentários Envie


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