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Como ajudar quem não quer ser ajudado?

27/10/2009

Sim, como? Ou então, como se sentir não podendo ajudar quem precisa de ajuda? E ajuda em todos os sentidos, física, emocional, monetária, psicológica e tudo mais. É uma dúvida constante na minha cabeça o que eu devo fazer além de tudo que já fiz para ajudar o amigo, o familiar, “aspessoatudo”. Porque chega uma hora em que você não tem mais como avançar porque a outra pessoa colocou entre vocês uma enorme barreira, muitas vezes até inconsciente, logo, mais perigosa e dura.

E isso sempre acontece. Sempre tem alguém que você gosta e está precisando de algum tipo de ajuda. Dá agonia ver a pessoa caindo, caindo e caindo sem parar e você lá de cima olhando, com cara de quem não sabe se caga ou sai da moita, se pula junto ou sai correndo. É uma sensação de impotência sem precedentes, um vazio na seção da amizade.

E a culpa sempre ronda sorrateira sua mente, se aproveitando daqueles rápidos momentos onde a clareza das ideias te abandona e dá lugar à dúvida: deveria eu ter tentado mais? Poderia eu fazer algo além? E nessa dúvida você se consome por dias, procura saídas para se livrar dela pensando em como ajudar mais quem não quer ser ajudado. Bate cabeça, estala os dedos, cantarola e nada, nenhuma mínima opção aparece.

Isso porque chega uma hora em que infelizmente você precisa soltar a mão dessa pessoa, a deixar cair mesmo. Até porque só quem chega ao fundo do poço dá o real valor à luz do topo. Os dedos dela vão deslizar dolorosamente pelos seus, os olhos dela vão procurar os seus com um olhar confuso entre o desejo pela salvação e o comodismo feliz da derrota. Mas deixe-a cair, fazer barulho na água lá do fundo.

Aprendi que só posso ajudar quem realmente quer (e merece) ser ajudado. Como disse a cartomante do Irving quando ele foi fazer a matéria da última Junior, “as pessoas são como são”. Tem gente que é feliz caindo no poço, você vai discordar? Não tem como, no máximo tentar ajudar para não sentir aquela culpa filha da p¨%$ que se você não controla te corrói, destrói e até enlouquece. Tem gente que se sente amada quando se vitimiza, se sente valorizada quando se menospreza e se sente muito bem (mesmo mostrando o contrário) quando tudo está uma bela porcaria.

Você não verá pessoas que não querem ser ajudadas levantando suas nádegas do sofá para ir bater cabelo atrás da vida. No cotidiano delas, as tragédias são fortes emoções que movimentam um dia-a-dia marcado pelo alto teor de dramatização de cada pequeno detalhe fora do lugar, cada pequena conta de casa atrasada em um dia que seja. O fim do mundo para quem não quer ser ajudado é uma bela visão porque subentende um novo começo. A esperança não morre para essas pessoas, apenas muda seu curso, sai da caixa de Pandora para habitar uma fase da vida que estará sempre além das mãos de quem se resigna. A esperança nunca morre, mas tarda e pode nunca chegar para quem não quer ser ajudado. 


Escrito por Hélio Filho às 17h40 Comentários Envie


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