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O que é a confiança?

13/11/2009

Pois é, essa palavra que aparece sempre que se fala em relacionamentos duradouros. Ainda mais hoje em dia, onde a maioria das pessoas infelizmente esqueceu de cultivar esse sentimento. Virou jóia. Mas se não tem confiança o seu relacionamento vira uma aventura nada gostosa pelos cantos mais obscuros da mentira, da dissimulação e da falsidade. Aí eu nem preciso falar o que acontece.

Construir a confiança mútua é tarefa árdua, para quem realmente está compromissado em ser feliz. E ser feliz é não ser como nossos pais, ser feliz é ser melhor do que eles porque aprendemos com os erros deles. Uma vez na sexta série um professor de História escreveu no quadro: o sábio aprende com os erros dos outros, os burros com seus próprios. E foi assim que eu decidi desde então ser melhor do que meu pai e minha mãe.

Superar a frieza de sentimentos típica do meu pai para com seus próximos foi um primeiro passo que eu dei e caminho rumo a isso diariamente. Saber desde pequeno que a fidelidade no relacionamento não é obrigatória - você pode trair a qualquer hora, em qualquer lugar -, mas é como a cobertura do sundae. É muito mais gostoso você comer o sundae, ou alguém mesmo, sabendo desse sabor especial.

Se é para ficar com quem eu desejo fisicamente, fico solteiro, como fui a maioria da minha vida. Mas quando o compromisso é firmado é hora de mostrar que eu fiz minhas escolhas e não abro mão delas. Eu confio em mim, muito. Já fui colocado à prova várias vezes, como naquele quadro tosco do João Cleber, mas sempre fui sincero não só com o outro, mas mais importante, comigo mesmo. Ninguém trai ninguém, só a si mesmo.

Mas, afinal, como construir a confiança? Não sei, de verdade. Deve depender de cada caso, cada casa, cada casal. Vai depender se você quer realmente insistir em algo que precisa ser construído com muito custo. Se custar muito, deixa pra lá, afinal, o amor tem que ser leve, sem fantasmas. Uma das pessoas que mais quebrou minha confiança foi justamente a que me disse algo bem sábio: a confiança é como um vaso, se quebra, dá para colar, mas nunca vai ser a mesma coisa. Clichê, mas válido.

Em quem você confia?


Escrito por Hélio Filho às 15h02 Comentários Envie

Relembrando

12/11/2009

Quando eu tinha 20 anos... 

 


Escrito por Hélio Filho às 17h07 Comentários Envie

Au!

11/11/2009

Paus, porras, sangues, merdas
Gemidos, latidos, grunhidos, contidos
Mãos, pés, dedos, língua
Cintos, tachas, pontas, chicotes

Prazer, dor, culpa, gozo
Força, instinto, desejo, toque
Suor, cansaço, exercício, peso
Lábios, sorrisos, suspiros, amores

Sexo, amor, tesão, pegação
Mistura, funde, borra, entorpece
Mais, mais e mais
Sempre mais, menos aqui

Pega, amarra, cospe, pisa
Mete, rasga, segura, puxa
Bate, xinga, beija, ama
Solta, abraça, cura e sorri.


Escrito por Hélio Filho às 13h56 Comentários Envie

Expressão sem pressão

09/11/2009

Tem muita gente que felizmente usa de algum tipo de forma de expressão como jeito de não explodir. Eu, você e, como diria minha amiga Vavá, a safadinha da rua. Todo mundo acha um jeito de colocar para fora o que atormenta por dentro. E na maioria das vezes que você mostra algo assim isso soa estranho aos outros - porque é algo completamente individual, só seu e, claro, inteligível apenas por você. O importante é não questionar e incentivar se estiver fazendo bem. Como diria o filósofo alemão clichê, nada que é humano me é estranho.

Tem algumas manifestações que são públicas e devem ser vistas como benéficas, saudáveis. Na Parada paulistana deste ano, minha amiga Maria Fernanda estava me acompanhando na cobertura quando soltou uma constatação: se não fosse a Parada, onde aqueles milhões de pessoas iriam colocar seus demônios para fora, exagerar na produção, gritar livremente, ferver? É só um dia, mas libera, deixa leve e dá energia para lutar por mais um ano.

Com a mesma Maria Fernanda e um convidado pra lá de especial, fomos ver uma peça de teatro que já saiu de cartaz, ainda bem. Era também uma forma de expressão, de vazão de sentimentos dos atores. Resolvi não questionar a direção do espetáculo sobre a expressão quase inexistente do elenco, que estava travado justamente por estar expressando falas que poderiam muito bem ser dele por causa da proximidade do tema da peça. Fiquei pensando que se eles esquecessem a vazão de sentimentos dos outros e colocassem as deles o resultado seria muito melhor.

Minha saga na observação de expressões estranhas alheias continuou na Satyrianas, aniversário dos Satyros, no sábado retrasado. Quando chegamos à Roosevelt, uma banda anarquista gritava embalada por estridentes guitarras a realidade de que “sempre tem alguém para carregar o piano”. Muita gente pulando, fazendo mosh (é assim que escreve?), se tremendo da cabeça aos pés, girando sem parar, cantando, tentando cantar, gritando, tentando gritar, uma loucura deliciosa.

Ao lado da banda, uma artista plástica famosa no meio acadêmico reagia a cada pequena nota da música anarquista e anárquica. Batia o cabelo abaixando e levantando a cabeça, ria para o ar, cantava, conversava consigo mesma, animava o povo da banda com aquele apontamento de dedo e acompanhamento da letra, bebia, ria mais, fechava a cara nas frases mais incisivas e descia até o chão no refrão. Ao lado dela, um jovem rapaz barbudo de calças listradas largas e chinelas de couro fazia guitarra no ar para completar uma dupla de liberadores das neuras.

Depois descemos para a garagem da Roosevelt. Mais individualidade ainda: duas meninas com máscaras estranhas no rosto gritavam no microfone “Gabriel me levou pro céu” e “quem não dá assistência abre concorrência”. A guitarra acompanhava a cantoria do modo dela, sem se preocupar com ritmo, o baixo idem, a bateria a mesma coisa. E as duas gritavam no microfone, sem dó, mas com fôlego. Fiquei morrendo de vontade de pedir um dos microfones da banda e começar a gritar também. Afinal, já sabia toda a letra de duas frases da música!

Mas a coroação surgiu mesmo na última sexta-feira, 6, no Programa do Jô (clique aqui e veja o vídeo). Rogério Skylab ocupou dois blocos da atração e deve ter cantado umas seis músicas pelo menos. Não entendi ainda o que ele é realmente. Cantor? Performer? Músico? Louco? Artista? O Homem-Cueca? Aí foi que eu percebi que gostava do que ele fazia. É absurdo, sem lógica à primeira vista, mas muito instigante e questionador se você ouve mais de uma música sem rachar de dar risada.

Rogério se expressa como quer e tem vontade, e assim é visto como um cara estranho. Mas quem não é estranho quando decide se expressar? Quem não recebe críticas e comentários absurdos? Rogério é visto como louco, mas eu duvido muito que a saúde mental dele, minha, sua e da safadinha da rua sejam muito diferentes. De perto ninguém é normal, por isso é muito bom se expressar, seja como for, seja quem for.


Escrito por Hélio Filho às 17h25 Comentários Envie


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